Três garotos e uma rede de 640 milhões. Por Suzana Naiditch, em exame.com
18 de fevereiro de 2011, sexta-feira Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
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O dia 13 de março de 1996 foi decisivo na vida dos irmãos paranaenses Ederson, Everton e Eduardo Muffato. Naquele dia, o pai deles, José Carlos Muffato, então com 42 anos, embarcou em Cascavel, no oeste do Paraná, num turboélice Cheyenne da família. O destino era o Pantanal, onde Tito, como era conhecido, passaria alguns dias entretido com seu passatempo favorito, a pesca. O tempo estava ruim e o piloto tentou descer em Foz do Iguaçu. O avião caiu e ninguém sobreviveu.
Everton, o filho do meio, completara 16 anos no dia anterior à tragédia. O mais velho, Ederson, estava com 17, e o caçula, Eduardo, tinha apenas 12 anos. Coube aos adolescentes um desafio enorme -- assumir o comando dos negócios da família. Com sete lojas e faturamento de 85 milhões de reais, os supermercados Muffato eram, então, a quarta maior rede do Paraná. Não houve tempo para assimilar a perda do pai. No dia seguinte ao enterro, a mãe, Reni, e o tio, Hermínio Bento Vieira, sócio no negócio, deram carta-branca aos meninos. "Ficamos muito inseguros", diz Ederson, hoje com 26 anos. "Mas decidimos que, fazendo certo ou errado, estaríamos sempre juntos." Passados oito anos, os negócios da família cresceram quase oito vezes. Com faturamento de 640 milhões de reais e 18 lojas, o Super Muffato tornou-se a maior rede de supermercados do Paraná. O grupo inclui dois atacados, duas emissoras de TV, um hotel e fazendas em Mato Grosso.
A origem do negócio remonta aos anos 70, quando Tito montou um pequeno armazém em Cascavel com o irmão, Pedro, e o cunhado Hermínio. Nos anos 80, o negócio prosperou com a região, cujo desenvolvimento se acelerou durante a construção da hidrelétrica de Itaipu. k2838»Em 1988, os irmãos desfizeram a sociedade e Tito juntou-se a Hermínio para criar o Super Muffato no ano seguinte. "Mantivemos a estratégia de expansão sinalizada pelo nosso pai", diz Ederson. Totalmente absorvidos pelo dia-a-dia no trabalho, os dois irmãos mais velhos não puderam completar os estudos. Ederson só conseguiu freqüentar a faculdade de administração por 20 dias. Everton passou no vestibular para direito, mas nem chegou a começar o curso. Eduardo, 20 anos, está estudando administração e marketing.Os irmãos enfrentaram o ceticismo de fornecedores e da concorrência. "Muita gente apostou que em pouco tempo a gente perderia tudo", diz Ederson. Eles se deram um prazo de três anos para dar certo. No início, para demonstrar mais segurança, sentavam juntos para negociar com fornecedores. Fizeram, então, um acordo -- um nunca desautorizaria o outro na frente de alguém. Os três jovens podiam não ter estudo nem idade. Mas tinham experiência. Os irmãos foram praticamente criados dentro de um supermercado. Ederson começou aos 9 anos. Foi empacotador, contínuo, açougueiro. "Nunca tivemos mesada, sempre salário", diz. As férias, eles passavam no balneário de Camboriú, em Santa Catarina -- pagas com o próprio dinheiro. Quando alguém censurava Tito por deixar os filhos trabalhar tão cedo, ele respondia: "Eles vão precisar disso amanh".Na divisão do poder, a trinca fez outro pacto -- ninguém tomaria o lugar do pai, ocupando a presidência. Ederson e Eduardo cuidam da área administrativa, em Cascavel. Everton toca a parte comercial, sediada em Londrina, no norte do estado, onde estão quatro lojas -- a primeira delas inaugurada pelo pai. Ali, há um retrato de Tito e uma réplica do avião Cheyenne. As decisões estratégicas são tomadas pelo triunvirato, sempre após ouvir a opinião do tio e de Reni, a mãe. Com a morte de Tito, Reni também passou a trabalhar no negócio. "Eu era uma madame", diz ela. Hoje, é responsável pelo setor de bazar nas lojas da rede. Na última semana de junho, trabalhou 15 horas seguidas ajudando a preencher as gôndolas da loja de Londrina, inaugu rada no começo de julho. "Esse pessoal coloca a mão na massa e é isso que faz a diferença", diz Pedro Demeterco Oliveira, um dos ex-gestores do Mercadorama, que já foi a maior rede paranaense.Segundo especialistas, um dos fatores que ajudam a entender a trajetória bem-sucedida dos Muffato é a estratégia de trabalhar com lojas menores do que os hipermercados comuns. "Esse é o modelo que mais tem dado certo atualmente, pois quase ninguém mais faz compras grandes e mensais com medo da inflação", diz o consultor Ruy Santiago, da Bain&Company, especializado em canais de vendas. Outra vantagem competitiva é a atenção dada ao relacionamento com os fornecedores. "Ao contrário de muitas redes, o Muffato propõe parcerias em vez de impor negociações em que só um lado quer ganhar", diz Santiago.Localizado numa região do país muito ligada ao agronegócio, que experimenta tempos de prosperidade, o Super Muffato sofreu menos com a queda de renda do consumidor. "Queremos continuar a ser uma empresa regional forte, concentrada no Paraná e no interior de São Paulo", diz Ederson. No fim do ano passado, os irmãos deram um passo importante nessa direção, ao inaugurar a primeira loja paulista, em Presidente Prudente, no oeste do estado.Apesar de ter construído um patrimônio que permitiria viajar de primeira classe e se hospedar em hotéis de luxo, a família leva uma vida, na essência, muito parecida com a de antigamente. As férias ainda são passadas em Camboriú. Ou então no Pantanal, numa casa sem chuveiro nem luz elétrica. Acostumados a pescar com o pai desde os 5 anos, os irmãos mantêm o costume. Durante os últimos nove anos, Everton tem passado o réveillon na beira de um rio, pescando. "Não tivemos aquela fase de agitação e festas, mas não sinto ter perdido algo", diz ele, hoje com 25 anos. "Estou plantando uma coisa da qual vou desfrutar lá adiante."
A saga do muffatoOs fatos mais marcantes da trajetória da rede paranaense1989O nascimentoO patriarca Tito Muffato funda o Super Muffato, em Cascavel, no oeste doParaná. Além de uma loja e um atacado na cidade, a empresa tem três supermercadosem Foz do IguaçuFaturamento: 40 milhões de reais
1996A tragédiaTito Muffato morre num acidente de avião. Na ocasião, o Super Muffato jáera a quarta maior rede de supermercados do Paraná. Além de sete supermercadose um atacado, o grupo possuía outros negócios, como uma emissora de TV emCascavel e fazendas em Mato Grossofaturamento: 85 milhões de reais
2003O apogeuOs jovens filhos de Tito transformam o Super Muffato na maior rede paranaensede supermercados. O grupo tem 18 lojas, dois atacados, além de fazendas,duas emissoras de TV e um hotel em Foz do IguaçuFaturamento: 640 milhões de reaisFonte: empresaOs supermercados brasileiros movimentam, somados, quase 6% do PIB brasileiro.Veja alguns números do setor em 200387,2 bilhões de reais de faturamento739 800 empregos71 372 lojasFontes: Associação Brasileira de Supermercados e ACNielsen
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]