Sapos com bocas costuradas assombram prefeito de Buritizeiro. Por Alessandra Mello, em.com.br
19 de abril de 2011, terça-feira Atualizado em 25/10/2025 00:27:34
• Imagens (1)
•
Uma inusitada história envolvendo política e magia negra tem deixado em polvorosa a população da pequena Buritizeiro, cidade do Norte de Minas, com apenas 27 mil habitantes. Na calada da noite, alguém tem colocado nas dependências da prefeitura sapos com a boca costurada ou colada. Dentro dos animais haveria papéis com o nome do prefeito, o padre Salvador Raimundo Fernandes (PT), que anda em pé de guerra com a oposição. Um dos sapos apareceu pela primeira vez ano passado, poucos dias antes de o prefeito ser afastado do cargo por decisão de uma comissão processantes da Câmara Municipal. Por decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, no entanto, ele retornou ao cargo.
O último sapo com a boca colada apareceu na semana passada, em cima da geladeira na cozinha da prefeitura usada pelos funcionários para fazer refeições. Alguém abriu o basculante da janela e colocou o animal lá em cima. O sapo, de pele escura e porte médio, estava com a boca colada. Outros três apareceram em situação semelhante. Dois estavam nos fundos da sede da prefeitura, onde há uma horta, outro foi encontrado dentro de uma creche. Um deles tinha a boca costurada.
Para evitar a morte dos animais, a prefeitura pediu a ajuda de Mauro Fernandes da Silva, de 57 anos, que, além de guarda municipal, é um dos fundadores do terreiro de candomblé Nossa Senhora da Imaculada Conceição, que existe há muitos anos na cidade. “Sou espírita e médium desde pequeno”, conta Mauro. Ele nega que o ritual de costurar a boca dos animais tenha origem na sua religião. “Isso é magia negra, é covardia. A gente não faz uma maldade desse tipo com nenhum animal”, defende Mauro.
O prefeito disse ter certeza de que o feitiço é endereçado a ele, mas garante não temer, a não ser pelos sapos. “É uma tentativa de me intimidar, mas não vão conseguir. Não acredito nisso, não faz parte da minha crendice. Mas acaba prejudicando a população, que fica um pouco assustada. Também é um crime contra a ecologia. Acho que quem faz isso não tem sensibilidade. O máximo que posso fazer é rezar para essas pessoas.”
A salvo
Para salvar os sapos, Mauro Silva disse que usa um estilete e também luvas e óculos, para se proteger do veneno disparado pelo animal quando está sem situação de perigo. “Com muito jeito para não machucar, eu abro a boca deles. Um acabou ficando com um corte pequeno na boca. Mas todos sobreviveram”, relata o guarda municipal, que depois de concluído o trabalho solta os sapos na beira de um rio. Indignado com o que ele classifica como maldade, Mauro disse que a única recompensa é poder ajudar a salvar os bichos. “A alegria que me dá é saber que libertei a vidinha deles. Quando a gente abre a boca eles ficam tão alegres. Sabe quando você solta um bicho que estava preso, deprimido e ele saí pulando na hora. É assim que acontece”, relata. Questionado sobre o que tem sido colocado na boca dos sapos, o guarda disse não ter condições de responder. “Para isso a gente tinha de abrir a barriga do sapo e saber o que ele engoliu, e todos até agora escaparam com vida.”
Costume antigo, de origem europeia
Aparício Mansur, assessor da prefeitura, conta que os sapos costurados têm causado comoção na cidade, nem tanto pelo fato de ser um feitiço, mas por causa da crueldade com os animais. Segundo ele, costurar a boca do sapo é uma prática conhecida como ebó (oferenda) um pouco comum na região, principalmente no município vizinho de São Romão, onde é forte a influência do candomblé, e da colonização da região por descendentes de escravos. Segundo ele, reza a lenda que se o sapo morre e o feitiço se concretiza. Ele também afirma que quanto mais o sapo sofre com a boca costurada, mais energia negativa ele solta contra a pessoa que teve o seu nome colocado dentro da boca do animal. “Não queremos fazer nenhuma crítica a qualquer tipo de religião, mas que dá dó dos animais isso dá”, comenta.
O professor de história da UFMG e diretor do Centro de Estudos da Presença Africana no Mundo Moderno (Cepan), Eduardo França Paiva, disse que costurar a boca do sapo é um costume muito antigo, de origem européia e não africana, como muitos creem. “Não acredito que tenha algo com o quilombo antigo, mas é muito mais provável que se trate de costume popular europeu que no Brasil e nas Américas acabou sendo incorporado por outros grupos sociais, tais como índios, negros, crioulos e mestiços.” Para ele, essa incorporação desses rituais de uma cultura pela outra é uma coisa comum na cultura brasileira.
“O mais interessante mesmo é identificar como essas práticas de feitiçaria antigas permanecem depois de tantos séculos, como elas estão presentes em algumas regiões, mais que em outras, e como posteriormente esses procedimentos passam a ser associados a negros, antigos escravos, ao tempo da escravidão, a quilombos, isto é, ao que seria pretensamente mais popular, menos culto e civilizado.” Segundo ele, essa leitura equivocada parece ser o caso dos sapos com a boca costurada de Buritizeiro, prática justificada pela colonização da região por baianos e descendentes de escravos.
Sapo-cururu Data: 15/09/2022 Sapo-cururu é encontrado em Apiaí com a boca colada e levanta suspeita de feitiçaria — Foto: Reprodução/Apiaienses Bravos
ID: 14063
EMERSON
19/04/2011 ANO:156
testando base
Sobre o Brasilbook.com.br
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]