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Poder local entre ora et labora: a casa beneditina nas tramas do Rio de Janeiro seiscentista

    12 de setembro de 2011, segunda-feira
    Atualizado em 04/11/2025 21:21:14
  
  
  
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dos prelados para adquirirem doações importantes, por meio de suas relaçõespessoais. Nos dados de sua administração, temos a informação de que o beneditino “fazia contas com Dona Vitória de Sá”, que, ao que parece possuía negócioscom o mosteiro, mais precisamente com a venda de açúcar.Frei Leão de São Bento era testamenteiro de D. Vitória de Sá. No testamento,feito em 30 de janeiro de 1667, são perceptíveis as relações existentes entre o mosteiro e essa representante dos “conquistadores” do Rio de Janeiro. Vitória de Sáera fi lha de Gonçalo Correia de Sá, irmão de Martim de Sá, ambos fi lhos de Salvador Correia de Sá, “O Velho”, um dos fundadores da cidade do Rio de Janeiro edono de engenhos. Era prima de Salvador Correia de Sá e Benevides, governadordo Rio de Janeiro e importante personagem nas tramas atlânticas. Vitória de Sá,em 1630, casou-se com Luis de Céspedes y Xeria, nomeado governador do Paraguai. Segundo Charles Boxer, a família Sá tinha muito a ganhar aliando-se a um“pobretão”, pois este assumira o governo de uma região comercialmente estratégica.11 A importância da aliança é demonstrada pelo esforço que fez Salvador deSá em acompanhar sua prima até Assunção para que ocorresse o dito enlace.No documento em que dispõe seu legado aos beneditinos como únicos herdeiros, já que não teve fi lhos com o espanhol, podem-se vislumbrar a pujança da“benfeitora” e a extensão dos bens que seus familiares transmitiram. Dona Vitória deixou aos religiosos quatro casas de pedra e cal, coladas às dos governadores,um engenho em Camorim, com igreja, vivenda de sobrado e todos os materiaisnecessários para a fabricação de açúcar, assim como escravos da Guiné, crioulos e“gente da terra”. Deixou, também, três currais de gado com 100 cabeças e algumasovelhas, além de “terras desde o rio Pavuna até o mar e correndo a costa até juntoda Guanabara com seus montes, campos, restingas, lagoas e rios”, que dizia terherdado dos pais e dos avós.12O ato de “bem morrer” era uma preocupação constante na América portuguesa e contribuía para o aumento dos bens das instituições eclesiásticas. Testar [Página 74]

do candidato. Jacinto da Trindade, natural do Rio de Janeiro e falecido em 1721,era fi lho do capitão João Correa da Silva e de Elena da Silva Cabral, “ambos ricos,nobres e dos mais distintos desta terra”.44 Outro candidato, João de Azevedo, também natural do Rio e professo em 1689, tinha “pais ricos e distintos”.45 CaetanoCésar Leite era de uma das “principais famílias” da Vila de Santos.46Frei João de Sant’Ana de Sousa, nascido no Rio de Janeiro em 1644, era fi lhodos “principais da terra” Pedro de Sousa Pereira e Ana Correia, aparentada com aimportante família Correia de Sá. A estratégia familiar do monge foi a mesma deboa parte das “pessoas de qualidade” da sociedade de então. O irmão mais velho,que “fi cou por cabeça do casal”, possuía o mesmo nome de seu pai e ocupou omesmo cargo – provedor da Fazenda Real. As irmãs foram enviadas para o convento de Santa Clara.

Ao entrar para o mosteiro do Rio de Janeiro em 3 de junho de 1659, freiJoão contou com alguns membros dos “melhores da terra” entre suas testemunhas, asseverando que as relações de sua família eram de muito prestígio. Nesse dia, foram ao mosteiro: o padre Pedro Homem Albernaz, prelado administrador da diocese, com 86 anos; o capitão Aleixo Manuel, filho do fundador da antiga ermida onde o mosteiro foi construído, com 84 anos; Constantino Cardoso, dequem não foi possível apurar informações; e Pedro de Souza Brito, capitão-morde Cabo Frio, com então 50 anos.47 Eram pessoas “antigas e qualifi cadas” queajudaram em sua entrada na Ordem. Frei João tornou-se abade do mosteiro daBahia em 1676 e procurador da Ordem em Roma em 1679.

A estratégia de manter um filho como “cabeça do casal” na expectativa de perpetuação da família e de seu prestígio não funcionou para o núcleo familiar de frei João de Sant’Ana. Seu irmão, Pedro de Sousa Pereira, comprou dos beneditinos parte do cabedal que seus pais deixaram. Era homem de grande prestígio e influência na capitania, dono de engenhos de três moendas. Não se casou e nem teve filhos. A perpetuação do núcleo de sua família anulou-se, quando foi assassinado em maio de 1688. O restante da família, ao menos em tese, por conta dos votos religiosos, não poderia produzir rebentos. 9 AHU-RJ. Doc. 367. 22 de maio de 1688. Carta do ouvidor-geral do Rio de Janeiro, Thomé de Almeida e Oliveira, em que participa o assassinato de Pedro de Sousa Pereira e as diligências que empregara para prender os criminosos.

Os noviços são distinguidos como pertencentes ao topo da hierarquia social.A “existência de um conjunto de instituições eclesiásticas indispensáveis aosmodelos de reprodução das casas nobiliárquicas” é destacada pelo historiadorNuno Gonçalo Monteiro como uma das características do Antigo Regime emPortugal.50 Ao que parece, buscou-se manter a tradição na América portuguesa,mesmo quando os pretendentes não eram descendentes dos Grandes do Reino.Apesar da impossibilidade de uma análise seriada das origens sociais dos noviços, é perceptível a “qualidade” dos membros da ordem beneditina. Tal condiçãoera ressaltada nas disputas com outros vassalos e instituições.Senhores daqueles camposEm um período em que predominava a indiferenciação entre o público eo privado, com a circulação de documentos por vezes forjados, as alianças de“bandos” facilitavam a posse da terra. Doações, vendas e trocas de terras forammotivos de contestações e de disputas acirradas. Talvez o caso mais controversona capitania do Rio de Janeiro tenha sido o mito fundador da região dos Camposdos Goytacazes, em que os beneditinos, assim como os jesuítas, estiveram envolvidos.51 O caso dos “sete capitães” é, até os dias atuais, descrito como a injustiçaque os primeiros exploradores da atual região norte fl uminense sofreram nasmãos do governador Salvador Correia de Sá e Benevides. [Páginas 84 e 85]

Os “sete capitães”, Miguel Aires Maldonado,52 João de Castilho Pinto,53 Antonio Pinto Pereira,54 Miguel Vaz Riscado,55 Duarte Correia Vasqueanes,56 ManuelCorreia57 e Gonçalo Correia de Sá58 pediram ao governador, em 1627, um enormetrecho de terras cobrindo parte de Cabo Frio até o extremo de Campos dosGoytacazes. O pedido coletivo buscava mercês por serviços prestados à Coroa,principalmente o extermínio/a expulsão de índios e a defesa contra os “invasoresestrangeiros”. Os solicitantes alegaram que tinham mais de 20 anos de prestaçãode serviços. Por determinação do governador Martim de Sá, os sete foram remunerados com as terras solicitadas em 19 de agosto de 1627.Apesar de terem alcançado uma mercê, a posse dos “sete capitães” foi contestada por Salvador Correia de Sá e Benevides.59 Como salientou Charles Boxer,“não padece dúvida que a redistribuição efetuada em 9 de março de 1648 trouxe grandes vantagens não só para Salvador, como também para os seus amigos eprotegidos, tais como os jesuítas, os beneditinos e Pedro de Sousa Pereira”.

A partir dessa data, os beneditinos aumentaram seu patrimônio na região dosCampos dos Goytacazes, fomentando a criação de gado. Suas terras, por conta da“escritura diabólica”, como fi cou conhecido o documento elaborado por SalvadorCorreia de Sá, sempre foram alvo de litígios.No Livro de Acórdãos da Câmara Municipal, no dia 3 de abril de 1653,61fi cou registrado que frei Fernando de São Bento, como procurador da Ordem,fez requerimento aos ofi ciais da Câmara conclamando a “ajudar a defender osditos seus currais e fazendas e a sustentar os ditos religiosos em sua posse”.62 FreiFernando, natural de Pernambuco e professo na Bahia, cuidava das fazendas daOrdem na região de Campos dos Goytacazes, “a qual administrou com tanto zeloque Salvador Correia de Sá o constituiu também procurador e administrador dassuas fazendas na mesma capitania”.63 Um beneditino a serviço de um dos homensmais poderosos do Brasil demonstra o quanto os monges estavam estreitadoscom as “elites locais”. Entretanto, o vínculo dos beneditinos com Salvador Correiade Sá oscilou muito, pois de aliado esse membro da elite tornou-se oponente dosmonges em várias disputas por terras.Além do pedido de proteção, frei Fernando informava que os beneditinosreceberam a igreja de São Salvador de uma doação de Salvador Correia de Sá.O religioso se dizia vigário da dita igreja e ouvidor eclesiástico escolhido peloprelado Antonio de Mariz Loureiro. Porém, havia sido mandado um novo vigário para a vila, pretendendo apossar-se da referida igreja. O beneditino, então,“requeria e pedia aos ditos ofi ciais da câmara que sustentassem a posse da ditaigreja aos ditos religiosos, e que não consentissem que outro nenhum sacerdote,exceto padres de S. Bento dissessem missas na dita igreja”. A disputa não era poruma igreja periférica, mas, sim, pela igreja mais importante da vila, a matriz. Ocontrole da matriz garantia maior visibilidade e mais acesso ao domínio de umbom número de fi éis. Requerimentos como os feitos pelo procurador dos mon [Páginas 86 e 87]



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EMERSON


12/09/2011
ANO:156
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]