A carreira política de Sebastião José Carvalho eMelo (elevado a Conde de Oeiras e, mais tarde, a marquês de Pombal, por D. José I) teve início primeirocomo representante diplomático lusitano junto à cortede Londres, seguida da representação diplomática emViena. A experiência diplomática colocou-o em contato direto com monarquias guiadas pelos princípios dodespotismo esclarecido. Como consequência, Carvalhotornou-se um atento observador do mercantilismoinglês, além de viver de perto a aplicação dos princípiosda “Razão de Estado” e de “Bem Público” em voga naÁustria. Em Viena, onde contraiu núpcias com a condessa de Daun, Sebastião José de Carvalho e Melo frequentou grupos de intelectuais dos diversos campos dacultura europeia e políticos de comprovada experiência. Mais importante do que isso, teve a oportunidadede discutir e debater os problemas que tocavam diretamente a questão sobre modernização da sociedadeportuguesa e sobre a conveniência do reforço do papelda monarquia em relação à necessidade de uma economia nacional forte o suficiente, não apenas para mantero Ultramar português, como também para ampliá-lo.Estes temas foram tratados de maneira muito prática e direta especialmente com um seu co-nacional, oduque Manuel Teles da Silva. Muito embora fosse umestrangeirado, na pleno sentido do termo, não se distanciara, contudo, das dificuldades socioeconômicase políticas de Portugal. A imediata convergência depontos de vista sobre os problemas discutidos cimentou entre os dois uma tão uma sólida amizade que nãose interromperia, mesmo após o regresso de Carvalhoa Portugal. Mais ainda, em várias ocasiões, já comoministro de D. José, Carvalho fará de Teles uma espéciede seu consultor ad hoc.1Não há registro preciso dos assuntos tratados nasconversações informais entre os dois. Contudo, pelacorrespondência posterior (de 1750 a 1758), sabe-seque as discussões nos seroins2 vienenses tratavam sobrea situação de penúria econômica do estado e sobre ofuturo de Portugal. A economia, industrialização, agricultura, navegação, arte e cultura eram os temas dominantes. Também não ficavam fora das discussões aforma de governo, a modernização da cidade de Lisboa,a defesa e a povoação do Ultramar, além da potencialidade econômica da colônia brasileira.3
Em 25 de setembro de 1750, Manuel Teles ilustrou a Carvalho aquilo que considerava ser um“plano de Governo superior”4 . Para o duque, a colônia brasileira seria — ou poderia vir a sê-lo — a fonte da potência portuguesa no continente sul americano. Seria o eixo, o motor, da administração do vasto império colonial luso.
Mas foi na sequência do envio para Viena das cláusulas do Tratado de Madri que o duque Teles da Silva abordou mais detalhadamente o papel da América portuguesa no contexto do inteiro Ultramar lusitano. Na correspondência de 12 de agosto de 1752, Teles faz um primeiro referimento direto ao Brasil5. Na carta — aliás, crítica do Tratado de Madri — Teles nomeia a situação do Maranhão lusitano e os missionários jesuítas.
A seu ver, no Brasil “os Reys de Portugal podem vir successivamente a ter hum Imperio, como o da China, e ainda mayor que a França, Allemanha, e Hungria, unidas se fossem em hum so corpo”6. Pelos seus cálculos, ainda que aproximativos, a importância do Brasil para Portugal poderia ser medida apenas considerando a extensão territorial da colônia, de cerca 180.000 léguas quadradas7. Comparando com Portugal (cerca de 90.000 léguas quadradas8), estimava para o Brasil, se devidamente povoado, uma população que poderia chegar a 60 milhões de habitantes9. Esta era a riqueza potencial do Brasil.10
Do ponto de vista territorial, para Portugal ser uma potência marítima na Europa bastaria apenas o porto de Lisboa. Mas, o que era absolutamente necessário era o desenvolvimento de uma indústria forte e moderna no reino. Como tantas vezes tinham discutido nos serões vienenses,
Vossa Excelencia reflectiu, e me ensinou que podiamos utilizar no comercio das nossasproprias Collonias ou Conquistas: Cuidemos pois em pouvoalas de qualquer modo que seja. Moiro, branco, Negro, Indio, Mulatico, ou Mestiço, tudo serve, todos são homems,são boms se os governão ou regulão bem e proporcionadamente ao intento. Se houver muita povoação, haverá muita lavoira, muito gado, e crias, tudo custará menos aos Portuguezes, e aos Estranjeiros, a quem não poderá tornar a conta, nem lavrar, nem comprar mais caro noutra parte. Sobretudo ganhará a Fé em Nosso Senhor Jesú Christo [...] Haja muitos cazamentos, e pouquissimos ventres inuteis11.
A riqueza de Portugal seria assegurada com aocupação da colônia brasileira. Por isso, a povoaçãoe a ocupação efetiva do território colonial eram absolutamente prioritárias. E como Portugal dispunha derecursos limitados, deveria usá-los o mais racionalmente possível. Ora, o meio mais eficaz de alcançar esteobjetivo seria a promoção de fundações de muitas vilas,ainda que fossem pequenas12.Teles ponderava que os jesuítas, em modo especial,não apenas poderiam, mas deveriam contribuir muitopara sucesso deste plano de povoação. Sobretudo, assuas missões serviriam como meio de contenção àexpansão territorial espanhola numa fronteira aindapor ser devidamente demarcada entre as duas monarquias. Consequentemente, o regulamento das missõesda Companhia de Jesus era uma questão da mais altaimportância para o estado. Por isso, deveria ser aplicado às demais congregações, conforme as exigênciasda razão de estado e o bem comum.13Como os missionários ocupavam as zonas clarasdo sertão, as tropas portuguesas ficariam livres para sedeslocar para as zonas de fronteira com os espanhóis,cujos confins eram mais expostos e acessíveis às avançadas dos castelhanos. A seu ver, os imigrantes allemaenspoderiam se estabelecer no Brasil sem problemas, excetuando os mercadores, que por ofício deveriam entrare sair da colônia. Os missionários alemães não representariam um problema maior. Pelo contrário, se qualificados contribuiriam para o crescimento econômicoda colônia.14Fiel aos princípios de um governo iluminado,além da religião única — a católica15 –, na medidado possível, também a língua deveria ser uma só. Deconsequência, seria preciso criar um rede de escolasque ensinassem a ler, escrever e contar, mas não sepermitisse o estabelecimento de qualquer universidade,nem se promovesse novas comunidades religiosas.Aliás, seria importante limitar severamente o número de religiosos e missionários na colônia. Não importavase fossem ricos feudatários, mas que pagassem as taxascomo todos os súditos do monarca.16Para Teles da Silva, o fundamental era que osreligiosos não controlassem o fluxo do comércio através do monopólio da posse das propriedades fundiárias. E as terras que possuíssem deveriam fomentaruma riqueza produtiva. Por isso, pouco importavaque os ricos proprietários fundiários fossem clérigosou frades, todos eram portugueses, embora vestidosde outro modo. O que importava, todavia, era que ariqueza destes não dependesse do Estado, nem que opatrimônio latifundiário ficasse em “mãos mortas”,saindo do tráfico civil.Se os religiosos fossem pouco numerosos e bemrepartidos pelo continente sul-americano, ponderava Teles, menos resistência fariam aos comerciantesseculares e às autoridades políticas17. Caso o ordenamento jurídico reinol não fosse suficiente para promover todas estas disposições, porque não se criassepara este “novo Imperio hum novo codex Braziliano,ordenaçoens particulares, e por assim dizer, territoriaisdaquelle Estado e Conquista?”18. Com essas ordenaçõeso governo colonial poderia facilmente evitar “demandas e trapaças”, que eram a “peste” tanto das povoaçõesquanto do comércio.Outro elemento importante, e que garantiria aunião estável entre a colônia e o Reino, seria o de agraciaras principais famílias locais com muitas terras, senhorios, feudos e comendas, limitando antecipadamente aextensão monopolista de poucos proprietários19. Mas,para que tudo isto fosse realmente viável, era fundamental que o governo fizesse uma nova demarcaçãodas terras. Só assim conheceria o território do Brasil,do qual pouco se sabia.
Pelo Tratado de Limites, Portugal cedia à Espanha a Colônia do Sacramento no sul da colônia. Em contrapartida, recebia incondicionalmente o território dos Sete Povos mais orientais das missões guaranis dos padres jesuítas espanhóis. A Sebastião José não agradava a entrega da Colônia, pois reconhecia o seu valor estratégico para assegurar os interesses portugueses no estuário do rio da Prata e nas zonas adjacentes. De fato, a Colônia do Sacramento e o seu interland eram um importante mercado consumidor dos gêneros portugueses negociados pelos cariocas e paulistas, e que a execução do tratado praticamente fecharia.20 [p. 3, 4 do pdf]
A seu ver, o gabinete de ministros de D. João Vnão soubera tratar convenientemente das negociaçõesdiplomáticas com a Espanha. Por conseguinte, Carvalho considerava as cláusulas do tratado como lesivasaos interesses estratégicos de Portugal. Além disto, previa que o processo de transferência das missões parao controle das autoridades lusitanas não seria pacífica.Pelo contrário, esperava uma acirrada resistência dosíndios missionados.
Assim, desconfiando das reais disposições da corte espanhola de cumprir as cláusulas do tratado, Carvalho procurou assegurar com um acordo complementar ao tratado. Efetivamente, aos 17 de janeiro de 1751, Portugal assinou com a Espanha um documento suplementar ao Tratado de Madri. Neste, de forma inequívoca, os direitos de Portugal aos territórios das missões eram garantidos pelos espanhóis. Eventuais — e já esperadas — resistências por parte dos guaranis e dos missionários seriam enfrentadas pelos exércitos das duas coroas, que se uniriam para aplicar com a força, se necessário, as cláusulas já concordadas.
Carvalho, certamente, solicitou ao duque um parecer sobre o acordo, enviando-lhe as cláusulas do tratadonegociado com a Espanha acerca das fronteiras mútuasno Brasil. Porém, para o duque, as informações geográficas não eram suficientemente claras. Por isso, ao leros artigos do tratado, Teles da Silva concluia: “se VossaExcelencia me houvesse podido remeter alguma maiscirconstanciada com o sobredito Tratado, ainda que soumao geographo, alguma idea me formaria daquella misterioza negociação” e, com prudente cautela, reforçou aopinião que não podia, nem devia aprovar às cegas, nemaplaudir por cumprimento ou veneração21. Pelos mapasa sua disposição, não localizava nem a aldeia de SantaRosa, nem conseguia bem compreender que largueza ouextensão teria o estado português naquelas paragens22.Segundo o duque, os rios indicados nos mapas de Mr.de Lille23, além de serem poucos e diferirem em muitasléguas, não se ajustavam com as indicações referidas nascláusulas do tratado24. Por outro lado,
aquelle famozo Geographo [...] aperta de tal modo o Dominio Portuguez, que quazi nos tira a margem do rio das Amazonas, cortando pello vasto lago ou especie de arquipelago que de Lille suppoem formão o tal rio, e separando assim do Brazil todo o territorio que chama das Amazonas, e atribue ao outro Dominio, Espanhol 25.
Consultando, porém, o mapa do rio do Amazonas publicado no livro de La Condamine, que relatavaa sua expedição pelo curso abaixo deste mesmo rioem 1743, Teles da Silva calculava mais de cem léguasde extensão na parte ocidental, isto é, do Maranhãoaté as missões dos padres carmelitas portugueses,compreendendo a aldeia de S. Cristóvão, cedida aosespanhóis26. Todavia, o duque aconselhava a Carvalhoa não desprezar aquela aparente franja de território,considerando as extensões da colônia. As consequências poderiam ser muitas e graves.27A coroa portuguesa bem saberia como e quandohaveria de se assegurar as fronteiras, e onde seriam maisnecessárias as tropas de confins e os lugares estratégicospara a construção de fortes e guarnições de fronteira, asquais seriam tanto mais necessárias quanto mais fosseconhecido, cultivado e praticado o sertão e os limitesdo Brasil. A mão-de-obra necessária para estas obrasnão seria um problema, poisAly nas fabricas, cuja execução pede menosarte e ensino como fossos, transportes deterra, canais, abrir caminhos etc creyo quemuitos dos nossos Tapuias poderão trabalhar,e a pouco custo, adquerirnos outros mesmosdos matos; e demarcação Castilhana: o bomtrattamento e administração fará muito.28Para Teles, a povoação do território era a chavede tudo. De nada serviam milhares de léguas de terrasse estas continuassem desertas. Tão pouco se podiamdefender as fronteiras sem soldados suficientes. E,como as fronteiras estipuladas pelo Tratado, nos mapasde M. de Lille, eram incertas, concluía:O que vejo, porem, a dizer a pura uerdade, he,que naquelle vasto terreno, que os Francezesdizem das Amazonas, se ganha grande porção, [p. 5 do pdf]tion abrégée d’une voïage fait dans l’intérieur de l’Amérique méridionele,depuis la côte de la mer du Sud jusq’aux côtes du Bresil et de la Guyane,en descendant la rivière des Amazones. Lûe à l’Assemblée publique del’Académie des Sciences, le 28 Avril 1745. Académie des Sciences [avecune carte du Marañon levée per le même]. Pariz, chez la Veuve Piffot, Quay de Conti, à la Croix d’Or, 1745; André Prat, Notas históricas sobre as Missões Carmelitanas no extremo Norte do Brasil. Recife,Conveto do Carmo, 1941. Metodio Carobbio de Nembro, “Patronato ePropaganda nel Brasile”, in Sacrae Congregationis de Propaganda FideMemoria Rerum (1622-1972). Vol. I/2, a cura de J. Metzler, Roma--Freiburg-Wien, Herder, [1972], pp. 684-685. Sobre esta aldeia de S.Cristóvão, veja-se a Carta de Francisco Xavier de Mendonça Furtado,governador do Pará, a Diogo de Mendonça Corte Real, Secretário deEstado. Pará, 1 de outubro de 1754. AHU, Pará., cx. 16, f. 1r.27 Carta do duque Manuel Teles da Silva a Sebastião José de Carvalhoe Melo. Viena, 12 de agosto de 1752. Carlos da Silva Tarouca, “Correspondência entre o Duque Manuel Teles da Silva e Sebastião Joséde Carvalho e Melo, 1º Marquês de Pombal”, in Anais da AcademiaPortuguesa de História, II série, vol. VI, (1955), p. 328.28 Cf. Id., ibid. Veja-se também o Diretório das Missões de 1758 e as Instruções publicas e secretas de Francisco Xavier de Mendonça Furtado.29 Cf. Id., ibid.30 A Carte du Paraguay et des Pays voisins ilustra bem o caminho fluvialentre Cuiabá, das minas do Mato Grosso, e o Rio da Prata. Mr. Bellin,engenheiro da marinha, diz que se serviu dos memoriais dos exércitos espanhol e português e, particularmente, daqueles dos padresda Companhia para compor este mapa em 1756. Na verdade, trata--se de uma elaboração do mapa do padre José Quiroga que, por suavez, baseou-se no mapa de 1732, composto pelos padres jesuítas, e node 1749 composto pelos plenipotenciários espanhóis e portugueses.Guillermo Furlong Cardiff, Cartografía Jesuítica del Río de la Plata.‘Texto Facultad de Filosofía y Letras, Publicaciones del Instituto deInvestigaciones Históricas, nº LXXI’, vol. 1, Buenos Aires, TalleresS.A.-Casa Jacobo Peuser, [1936], pp. 87-91; II - Ilustraciones, mapaXXVI.31 Cf. Carta do duque Manuel Teles da Silva a Sebastião José de Carvalhoe Melo. Viena, 12 de agosto de 1752. Carlos da Silva Tarouca, “Correspondência entre o Duque Manuel Teles da Silva e Sebastião Joséde Carvalho e Melo, 1º Marquês de Pombal”, in Anais da AcademiaPortuguesa de História, II série, vol. VI, (1955), pp. 328-329.32 Cf. Id., ibid., p. 329.33 Em maio de 1755, D. José I autorizou a criação da Companhia. Osestatutos da Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhãoforam publicados em 6 de junho de 1755, data do aniversário do rei,e confirmados por alvará real, datado do dia seguinte. Cf. Instituiçaõ da Companhia Geral do Graõ Pará e Maranhaõ. Lisboa, Off. deMiguel Rodrigues, 1755, in Collecçaõ das Leys, Decretos e Alvarás quecomprehende o feliz reinado del Rey Fidelissimo D. Jozé I Nosso Senhor,Desde o anno de 1750 até o de 1760, e a Pragmatica do Senhor Rey D.Joaõ o V do anno de 1749. Tomo I, Lisboa, Off. de Antonio RodriguesGalhardo, 1771, ff. 121r-129v.34 Carta do duque Manuel Teles da Silva a Sebastião José de Carvalho eMelo. Viena, 3 de novembro de 1755. Carta do duque Manuel Teles daSilva a Sebastião José de Carvalho e Melo. Viena, 12 de agosto de 1752.Carlos da Silva Tarouca, “Correspondência entre o Duque ManuelTeles da Silva e Sebastião José de Carvalho e Melo, 1º Marquês dePombal”, in Anais da Academia Portuguesa de História, II série, vol.VI, (1955), p. 347.35 Os Estatutos manuscritos da Instituição da Companhia Geral doGrão-Pará e Maranhão estão no AHU, Maranhão, Cx. 866, doc. 23 (1755-1757). Acham-se, porém, vários estatuto impressos, como porexemplo a Instituiçaõ da Companhia Geral do Graõ Pará e Maranhaõ.Lisboa, Off. de Miguel Rodrigues, Lisboa, 1755, in Collecçaõ das Leys,Decretos e Alvarás que comprehende o feliz reinado del Rey FidelissimoD. Jozé I Nosso Senhor, Desde o anno de 1750 até o de 1760, e a Pragmatica do Senhor Rey D. Joaõ o V do anno de 1749. Tomo I, na officinade Antonio Rodrigues Galhardo, Lisboa, 1771, ff. 121r-129v. Veja-se,também, a Carta de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador e capitão general, a Diogo de Mendonça Corte Real Secretário deEstado. Pará, 18 de janeiro de 1754. AHU, Pará, Maço 739-E, Cx. 16-A[1754-1758], capilha 18.01.1754.36 Carta de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador e capitãogeneral, a Sebastião José de Carvalho e Melo, Secretário de Estado. Pará,24 de janeiro de 1754, publicada por Marcos carneiro de Mendonça, AAmazônia na Era Pombalina: correspondência inédita do Governador eCapitão-General do estado do Grão Pará e Maranhão Francisco Xavierde Mendonça Furtado (1751-1759). ‘Instituto Histórico e GeográficoBrasileiro’. T. II, [São Paulo, Gráfica Carioca], 1963, pp. 460-464.37 Como, por exemplo, o combate ao contrabando, o reforço da burguesia nacional e as expedições de conhecimento e exploração do território. Veja-se também as Condições com que se deve fundar a novaCompanhia que os moradores da Capitania do Pará intentam estabelecer para com ela fornecerem de negros o Estado do Maranhão e Menasdo Mato Grosso, Pará, 15 de fevereiro de 1754. Id., ibid., pp. 478-483.38 Cf. Manuel Nunes Dias, “Fomento Ultramarino e Mercantilismo: ACompanhia Geral do Grão Pará e Maranhão (1755-1778). O GiroMercantil”, in Revista de História de São Paulo, 75 (1968), p. 57.39 Luís Manoel da Câmara, 3º conde da Ribeira Grande, embaixadorextraordinário de D. João V na corte francesa, a partir de 18 de agostode 1715.[s/autor], “Ribeira Grande”, in Dicionário de História de Portugal, dir. Joel Serrão, vol. III, [Lisboa], Iniciativas Editoriais, [1968],p. 642.40 Cf. Carta do duque Manuel Teles da Silva a Sebastião José de Carvalhoe Melo.Viena, 3 de novembro de 1755. Carlos da Silva Tarouca, “Correspondência entre o Duque Manuel Teles da Silva e Sebastião Joséde Carvalho e Melo, 1º Marquês de Pombal”, in Anais da AcademiaPortuguesa de História, II série, vol. VI, (1955), pp. 347-348.41 O plano do Conde da Ribeira Grande previa que o “primeiro fundo,[...] para este estabelecimento, erão os juros reais dos Almozarifados eCofres, e me quer parecer tambem as tenças ou parte dellas, de sorteque com huma doce e util violencia se acharião os filhos da folha interessados na sua Companhia Regia, de que não lembra a denominaçãoque lhe dava. A esse fundo unia a renda dos Conçulados e todas asdestinadas aos armazens e armada, interessando no comercio por estemodo El Rey, a Nobreza, e a mayor parte da Nação. Tinha alcançadoaquelle zelozo Menistro muitas e individuais noticias do Brazil, e suasproduçoins, a similhante fim; como tambem dos principais Arsenaismaritimos, e forma de contas indiuiduas (sic) com as quais pareciaprovar, que os navios fabricados economicamente no Maranhão,adonde contava empregar numero grande de Tapuyos mansos compequenos jornais, virião custar hum terço menos, que os d’El Rey Britanico”. Cf. Carta do duque Manuel Teles da Silva a Sebastião José de Carvalho e Melo. Viena, 3 de novembro de 1755. Id., ibid., p. 348.
42 “Hoje mesmo li huma carta de Lisboa, que parece haver partido de lá aos tres, com o correio do Embaixador de França, em que se diz: O incendio durava, que toda a cidade estava em perigo, e que ElRey, nosso senhor, cuidava em hirse estabelecer no Brazil, da parte do Maranhão”. Cf. Carta do duque Manuel Teles da Silva a Sebastião José de Carvalho e Melo. Viena, 5ª feira, 4 de dezembro de 1755. Id., ibid., p. 354. [p. 13 do pdf]
43 Carta do duque Manuel Teles da Silva a Sebastião José de Carvalho e Melo. Viena, 5ª feira, 4 de dezembro de 1755. Id., ibid., p. 354.
44 Podia-se tomar como exemplo quanto acontecia na política européia,onde “nem Francezes, nem Inglezes terião escrupulos de abandonna[sic] e vender Portugal a Castella, para conservar e avantajar respectivamente seus comercios [...]”. Cf. Carta do duque Manuel Teles daSilva a Sebastião José de Carvalho e Melo. Viena, 19 de novembro de1756. Id., ibid., pp. 368-369.45 “Assim a fis, ha 5 ou 6 annos, esprayandome / como le dizemos / comimprudente prolixidade, no vasto, rico e fertil continente do Brazil.[...] não abuzarei hoje tanto da sua indulgente amizada [...] que poucosbons calculos poderia fazer, ainda quando tivesse os conhecimentos,que não tenho, dos meyos actuais, e dos factiveis de adquerir, paraentreter nesse Reyno e no Brazil, o numero competente e proporcionado de tropas e de navios. Similhante proporção he tão necessaria,como a dos tais meyos, que não conheço, mas que V[oss]a Ex[celenci]a me parece saber hoje muito melhor, do que outrem na Patria.Depende muito a conservação / se não erro como estrangeirado ecaduco / desde duplicado e proporcionado armamento naval e terrestre. O contrario nos perdeo sucessivamente, em Portugal, na IndiasOrientais etc. Estava Portugal dezarmado, depois da perda de ElReyD. Sebastião, quando facilmente o invadio e conquistou o exercito doDuque de Alva. A negligencia affectada e politica da Corte de Madrid,abriu e facilitou a Hollandezes numero de portos mal guarnecidos nasnossas Conquistas. Ora, estas não deffendem que com boas tropas,como sem boas naus de guerra se não deffendem (sic) Frotas e Comercio”. Cf. Carta do duque Manuel Teles da Silva a Sebastião José de Carvalho e Melo. Viena, 19 de novembro de 1756. Id., ibid., pp. 369-370.46 “Prevejo sem melancholia, nem extrema perspicacia, que certosnevoados ha, onde se podem produzir no tempo grandes mudanças,como ja se começão a observar no systema geral de Europa e da America; la donde me parece que a eloquencia do famozo Vieira fundavao quinto Imperio do Mundo e esperanças de Portugal. [...] Juntandocabos, e não me attendo a profecias, digo familiarmente a hum amigohonrado, que o P. Vieyra tinha em parte razão, se na riqueza, poziçãoe vasto do Brazil, fundava as esperanças da Monarchia Luzitana, e suaduração [...]”. Cf. Id., ibid., pp. 367-368.47 Cf. Carta do duque Manuel Teles da Silva a Sebastião José de Carvalho e Melo. Viena, 19 de novembro de 1756. Id., ibid., p. 367. Em1725, o napolitano Giambattista Vico publicou o ensaio Principijd’una scienza nuova d’intorno alla cumune natura delle nazioni [...]per la quale si ritrovano i principii di altro sistema del diritto naturaledelle genti. Napoli, A spese di F. Mosca, 1725. A ideia fundamentalda sua filosofia da história era o sistema do ciclo ou dos avanços eretrocessos (corsi e ricorsi), segundo a qual a vida dos povos decorresempre em forma cíclica (época divina, heróica e histórica). Quandouma nação alcança a época da civilização e de florescimento sobrevém inexoravelmente a decadência, e sobre a sua ruína erguem-senovos povos que percorrerão as mesmas fases evolutivas. Teles daSilva aplica estes princípios à América, alertando Sebastião José parao grandioso futuro que poderia vir a ter o Brasil. Conforme o elencodos livros da biblioteca de Sebastião José, ele conhecia as idéiasviquianas (BNL, Col. Pomb., cods. 165-167: Catalogue des livres deSebastien Joseph de Carvalho e Mello envoyé extraordinaire de saMagesté le Roi de Portugal auprés de Sa Majesté Britannique, À Londres, 1743; Catalogue ou l’on trouve un secours de livres politiques lesplus remarquables, qui ont été composé par l’instrucion des Ministresdu Cabinet [...], Londres, 1743; Bibliothèque Britannique, ou Collection des livres, qu’a dans son cabinet à Londres Sebastien Joseph deCarvalho e Mello [...] Pour ce qui concèrne a l’Anglaterre, son comerce [p. 14 do pdf]