18 de maio de 2017, quinta-feira Atualizado em 25/10/2025 17:11:22
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Muita gente se pergunta: "Como pensava Einstein? Como pensa um fisico?" Costumamos pensar quando quietos e sozinhos, olhamos pela janela e blocos de equações passam por nossa cabeça, até que essas equações se ajustam e pegamos uma folha de papel escrevemos. (Michio Kaku)
O velho clichê de rabiscar as costas de um envelope as vezes acontece porque é só o que temos a mão. (Clifford Victor Johnson)
Ele sempre pensava em imagens, visualizava as coisas. Quando o pai lhe deu uma bússula ele ficou olhando aquilo, noite após noite. A agulha apontando o norte. Ele disse que ficava com arrepios. (Walter Isaacson (autor de "Einstein: His Life and Universe)
Einstein disse uma vez "Quero conhecer as ideáis de Deus de forma Matemática". Einstein queria uma equação, talvez quisesse uma equação bem curta, que encapsulasse toda as leis da física. Exprimir a beleza, a majestade, o poder do universo, numa só equação, foi o objetivo da vida dele. (Michio Kaku)
Em 1900 Albert Einstein tinha 21 anos e era estudante na Escola Federal Politécnica de Zurique. Que esse jovem um dia se tornasse sinônimo de gênio, era algo que não passava pela cabeça dos professores.
Ele faltava muito, os professores achavam que ele era um inútil, em consequência ele não arranjou emprego algum quando se formou. Ele até pensou em mudar de área e vender seguros. Já imaginou abrir a porta um dia e ver Albert Einstein lhe vender um seguro? Que desperdício. Einstein se achava um fracasso, ele até escreveu para a família dizendo que talvez tivesse sido melhor ele não ter nascido. (Michio Kaku)
Ele trabalhou como professor substituto em várias cidades, sempre por pouco tempo. O pai dele tentou solicitar alguma posição acadêmica para ele e escreveu para um professor muito famoso, pedindo que ele usasse Einstein como assistente de pesquisas, mas não havia cargo disponível.
O pai dele morreu achando o jovem Albert uma desgraça total para a família. (Michio Kaku)
Em 10 de outubro de 1902 faleceu seu pai. Deprimido e desanimado, o jovem Einstein se mudou para Berna, capital da Suíça, e começou uma carreira longe da ciência.
Um de seus amigos conseguiu para Einstein um emprego subalterno de assistente de patentes no Instituto Suíço de Patentes. (Michio Kaku)
Em sua sala no terceiro andar Einstein passava 6 dias por semana analisando pedidos de patentes de todo tipo de inventos feitos ao governo suíço.
Para analisar uma patente ele tinha que sintetizar as muitas informações disponíveis a sua essência, e isso despertou nele as habilidades de físico e ele começou a despachar rapidamente os pedidos que devia analisar. (Michio Kaku)
Ele não achava o trabalho extenuante, nem intelectualmente muito exigente. (Jürgen Renn) E isso deu a ele muito tempo para contemplar o universo. (Michio Kaku)
Ele nunca se tornaria tão bom numa universidade a sombra de algum professor, estava muito melhor num banquinho no Instituto de Patentes, tentando imaginar como seria "cavalgar um raio de luz". (Walter Isaacson)
Daquele emprego ele lançaria uma revolução que mudaria a História do mundo. (Michio Kaku)
Einstein soltava a imaginação e isso mudaria profundamente nossa visão do universo. Em 1905, o chamado “Ano do milagre de Einstein”, ele publicou em suas horas vagas quatro artigos visionários. O primeiro dos quais respondia a uma velha pergunta: O que é a luz?
O efeito fotoelétrico. O artigo escrito por um total desconhecido mostrava que a luz vinha de uma partícula chamada fóton. Usamos fotos em televisores, usamos em lasers. (Michio Kaku)
Em outro artigo escrito aos 26 anos Einstein postulava algo que hoje já temos por certo a existência do átomo.
Ninguém acreditava no átomo na época mas ele provou que átomos podem minúsculas partículas de pó se moverem meio líquido e calculou o tamanho de átomos. (Michio Kaku)
Só esses artigos já dariam uma carreira notável a qualquer físico mas Einstein estava só começando.
Ele escreveu outro artigo com a famosa equação E = MC(2) ao quadrado. (Michio Kaku)
Isso simplesmente significa que energia pode se tornar matéria, matéria pode se tornar energia. A menor partícula de matéria pode conter uma enorme energia potencial, mas ela só é liberada por uma reação nuclear do tipo que acontece constantemente no firmamento.
Desde que o homem começou a olhar para o céu ele se pergunta: o que faz as estrelas brilharem? Mas foi preciso um Albert Einstein para responder a pergunta: a massa, "M", se transforma na energia, "E", eis o motor que acende as estrelas. (Michio Kaku)
Mas outra teoria que ele publicou no mesmo ano seria ainda mais importante e controvertida: a Teoria Especial da Relatividade.
Quando o Einstein era adolescente gostava de imaginar como seria cavalgar um raio de luz. Agora ele voltou a essa ideia e isso mudaria sua vida.
Na primavera de 1905 Einstein estava andando de ônibus quando olhou para a famosa torre do Relógio, que domina Berna, na Suíça, e imaginou: "O que aconteceria se o meu ônibus estivesse viajando quase a velocidade da luz?" (Michio Kaku)
Em sua imaginação Einstein olhou para a torre do relógio e o que viu foi surpreendente. Ao alcançar a velocidade da luz o relógio parecia estar parado.
Mais tarde Einstein escreveria "minha cabeça ferveu. De repente todas as coisas tudo começou a tomar forma". (Michio Kaku)
Einstein sabia que na torre do relógio o tempo passava normalmente mas na velocidade da luz em que seu ônibus estava a luz já não podia alcançá-lo. Quanto mais depressa se movesse no espaço mais devagar se moveria no tempo. Essa percepção fez nascer a teoria especial da relatividade de Einstein, que diz que o espaço e o tempo estão intimamente relacionados.
De fato eles formam uma coisa só um tecido flexível chamado espaço-tempo. Sentado em um ônibus público Einstein acreditou ter vislumbrado o segredo do universo.
Antes de Einstein o espaço era um lugar onde não fazia nada e onde havia coisas as coisas ficavam nele. Agora o tempo combinado ao espaço ou o espaço-tempo dá um entendimento mais dinâmico dessa arena onde tudo acontece. De certa forma tudo se torna mais vivo. O que ele dizia suava muito diferente muito estranho. (Clifford Victor Johnson)
Raramente algo tão radical fora publicado pelo jornais europeus.
Ele era um completo estranho a física do tempo dele estava na suíça e era o mero assistente de patentes mas era ambicioso suficiente para pensar que podia desafiar o pensamento físico estabelecido na época. (Jürgen Renn)
Richard Ellis, Steele professor de astronomia na Caltech:
Um cientista sempre espera despertar euforia que todos reconheçam e festejem o grande avanço na matéria, mas isso raramente acontece. (Richard Ellis)
Qualquer que fosse o conceito de tempo ele demorava passar para Einstein no instituto de patentes.
Ele mandava artigos a importantes jornais científicos e esperava as melhores reações mas essas reações sempre demoravam muito a vir.
Ele estava ansioso. Qual seria a reação da comunidade de físico a esse grande artigo? Silêncio. Einstein ficou muito deprimido. (Michio Kaku)
Quatro ou cinco meses? Deve ter parecido uma eternidade para ele. (Thomas Levenson)
Então os artigos de Einstein caíram nas mãos do único homem talvez que o entendeu completamente Max Planck.
Max Planck era o maior físico teórico da Europa. (Richard Ellis) E editor do periódico Anais de física em Berlim.Era o jornal de física mais importante da época. (Jürgen Renn)
Max Planck leu o artigo do desconhecido físico e então disse "aqui temos alguma coisa". (Michio Kaku)
Planck viu na hora que aquele estudioso importante. O trabalho da relatividade foi publicado em junho de 1905. (Thomas Levenson)
Aquele jornal de número 17 ainda é uma das publicações mais famosas da história da ciência e na época Einstein sequer era cientista.
Ele ainda procurava trabalhar em escolas e faculdades sempre rejeitado. (Walter Isaacson)
Chamamos esse o ano do milagre de Einstein mas aquele não era um ano que ele mesmo descreveria como miraculoso. Milagres carregam um sentido de algo feito facilmente.
Não acho que Planck soubesse que Einstein era um funcionário de "terceira". Ele deve ter ficado curioso para saber quem era o desconhecido Einstein, de Berna. (Jürgen Renn)
O desconhecido Einstein já era na época pai de um menino de um ano e marido de uma calma e séria colega da Escola Politécnica, Mileva Maric.
Quando estava na Politécnica de Zurique ele era muito mulherengo. Tocava violino nos chás e cocjteis das mulheres e conheceu várias jovens na época, mas Mileva atraiu sua atenção. (Walter Isaacson)
Mileva era a única mulher da classe. E aí estava o físico, apaixonado (Michio Kaku). Em um breve intervalo de sua paixão pela Ciência, Albert e Mileva se casaram em 6 de janeiro de 1903. Um ano depois nasceu seu primeiro filho, Hans Albert. A família Einstein vivia num pequeno apartamento na capital Suíça.
As limitadas circunstâncias em que viviam não era o que ele esperava naquela fase da vida.
Mileva sempre quis ser uma grande física, mas foi reprovada nos exames finais da Politécnica de Zurique. Ele se tornou um importante apoio para os grandes artigos do "Ano do Milagre", especialmente o "Dia da Relatividade", ajudou a datilografar e a verificar os cálculos. Mas acabou mesmo como "Dona de Casa". (Walter Isaacson)
Michio Kaku - (Físico teórico estadunidense. É professor e co-criador da teoria de campos de corda, um ramo da teoria das cordas, que viria para ajudar na explicação da chamada Teoria de tudo, buscada por diversos físicos ao longo da nossa história, incluindo Albert Einstein. Michio Kaku defende a existência de universos paralelos.
Clifford Victor Johnson (Professor de Física na Universidade do Sul da Califórnia no Departamento de Física e Astronomia):Walter Isaacson (autor de "Einstein: His Life and Universe):Jürgen Renn (Diretor do Instituto Max Planck):
Thomas Levenson (autor de "Einstein in Berlin":
Michio Kaku: É a Ciência feita de suor, como dizemos. Temos sobressaltos de lógica, temos anos de indagações não resolvidas, temos frustrações, temos horas de arrancar os cabelos. Mas o verdadeiro poder do gênio é a força de vontade para fazer todos os erros necessários para chegar a resposta.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]