Ê, camarás! De marginais a heróis. Fonte: saopaulo.sp.leg.br
3 de agosto de 2022, quarta-feira Atualizado em 24/10/2025 03:34:27
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O motorista de ônibus aposentado Carlos Alberto Tavares, de 71 anos, está animado. Em instantes, vai começar a aula de afromix, atividade física que une elementos da capoeira e de outras danças. “A gente se sente bem e pode até comer à vontade que não engorda”, diz o aluno, que participa regularmente da atividade.Já Márcia Valeska conta que seus alunos, e ela mesma, saem com mais disposição das aulas de afromix e de capoeira. “Todo mundo pode fazer”, garante a professora, que gostaria de ver mais mulheres e crianças jogando capoeira, sendo “camarás”, como os praticantes também são conhecidos.Tanto a afromix quanto a capoeira são atividades disponíveis na Casa da Capoeira de Campo Belo, inaugurada pela Prefeitura de São Paulo em dezembro do ano passado, no Parque Invernada, na zona sul. No espaço também há aulas de maculelê e de artesanato afrobrasileiro, além de festas. Todas as atividades são gratuitas. A inscrição pode ser feita na hora.A Casa da Capoeira, administrada pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, é um galpão com um palco, cadeiras e, principalmente, muito espaço para as atividades. Na frente, fica um pátio onde também se pode jogar capoeira. A entrada chama a atenção por homenagear o berimbau, instrumento musical muito usado para dar ritmo aos movimentos.“A mãe Capoeira precisava de um local, ela é a mãe de todos nós”, diz Adenilson Silva Alves, o mestre Tico, coordenador da Casa. “Agora os capoeiristas podem ir embora, mas a Casa da Capoeira fica”, comemora. Alves pretende organizar no local encontros com capoeiristas do mundo todo. “Isto aqui já é um sucesso”, garante.A Casa da Capoeira foi criada para divulgar e valorizar a prática da dança, com o objetivo de “formar indivíduos aptos a disseminar a importância histórica dessa expressão cultural que mistura luta, dança, cultura popular e a música”, segundo a lei 17.588, aprovada em 2021 pela Câmara Municipal de São Paulo (CMSP).Na lei, também consta que “o acervo da Casa da Capoeira será composto dos mais diversos materiais relativos à produção de peças, pesquisas, criação e produção de objetos relativos à modalidade, objetos históricos, artísticos, fotográficos, gastronômicos, e qualquer forma de expressão que contribua para a preservação da capoeira”.Na justificativa do projeto que deu origem ao espaço, os vereadores Dr. Sidney Cruz (Solidariedade), Elaine do Quilombo Periférico (PSOL), Faria de Sá (PP), Felipe Becari (PSD) e Marcelo Messias (MDB) afirmam que “diante de uma história de resistência e luta e do importante reconhecimento que a modalidade alcançou, faz-se necessária a criação da Casa que abrigará e imortalizará todo um legado deste povo guerreiro e vencedor”.Messias conta que apoiou a ideia da Casa por causa da importância da capoeira, principalmente para os jovens. “Ensina disciplina e respeito aos mais velhos, além de fazer parte da cultura brasileira”, diz o vereador à Apartes. Ele se lembra que na juventude, quando morava na Capela do Socorro, zona sul da cidade, via os vizinhos jogando capoeira, queria participar do jogo, mas não podia porque tinha de trabalhar. “Agora a juventude tem um local para praticar a capoeira”, comemora.O projeto foi apresentado inicialmente em 2020 pelo então vereador Ricardo Nunes (MDB), atual prefeito de São Paulo. No ano seguinte, os cinco parlamentares reapresentaram a proposta.LUTA HISTÓRICAA capoeira foi criada pelos negros escravizados como uma forma de resistência. O mestre capoeirista Anande das Areias, em seu livro O que é capoeira, definiu a atividade como “música, poesia, festa, brincadeira, diversão e, acima de tudo, uma forma de luta, manifestação do povo, do oprimido e do homem em geral para sobreviver e lutar contra qualquer tipo de opressão”.O mestre explica a origem da luta: os negros escravizados se inspiraram na natureza, nas brigas dos bichos, em que usavam cabeçadas, coices, saltos e botes. Além disso, foram utilizadas as estruturas das manifestações culturais (brincadeiras e competições) trazidas da região de Angola, no Oeste da África, onde eram praticadas em cerimônias religiosas. Assim, criaram a luta nos séculos 17 e 18.Segundo historiadores, provavelmente o nome originou-se porque a atividade era praticada na capoeira, palavra de origem tupi que designa a vegetação de arbustos surgida após a derrubada da mata original. Existe também a hipótese de que a origem da palavra tenha sido um cesto que os negros escravizados carregavam na cabeça.As primeiras imagens conhecidas da capoeira são do começo do século 19. Por volta de 1825, o inglês Augustus Earle pintou a aquarela Negros lutando. Na obra, um policial se aproxima para acabar com a briga. Na mesma época, o alemão Johann Moritz Rugendas fez a gravura Jogar capoeira – dança da guerra. Nela a cena é mais festiva, com homens e mulheres tocando instrumentos e batendo palmas enquanto observam os capoeiristas.Na cidade de São Paulo, desde o século 19 há registros da prática. E da repressão das autoridades aos capoeiristas. O historiador Pedro Figueiredo Alves da Cunha, em seu livro Capoeiras e valentões na história de São Paulo, conta que, em 1829, um estudante, que preferiu não se identificar, enviou uma carta ao jornal O Farol Paulistano acusando o professor de francês Augusto da Silveira Pinto de “jogar capoeira no Largo do Chafariz, servindo de espetáculo aos negros, que quando o veem dar bem uma cabeçada, o aplaudem com bastantes assobios, palmas e gargalhadas”.
Segundo Cunha, os conflitos entre os capoeiras (como também eram chamados os capoeiristas), muitas vezes com navalhas, e o receio de que os negros escravizados se rebelassem levaram o presidente da Província de São Paulo, Rafael Tobias de Aguiar, a solicitar que a Câmara de Vereadores da capital tomasse providências para coibir que os negros escravizados praticassem “o jogo vulgarmente chamado capoeira quando vão às fontes e a outros lugares em que se costumam ajuntar”. Segundo o presidente, isso dava origem a “muitas desordens entre gente tão bárbara e imorigerada” (devassa).
Assim, em 14 de janeiro de 1833, os parlamentares estabeleceram uma norma: “toda pessoa que, nas praças, ruas ou em qualquer lugar público, praticar o jogo denominado ‘de capoeiras’, ou de qualquer outro gênero de luta, sendo livre será presa por três dias e pagará a multa de 1 a 3 mil réis”. No caso de cativos, a determinação era prisão por 24 horas e pena de 25 a 50 açoites.
Apesar da perseguição, a capoeira ganhava praticantes em São Paulo. E não só entre os negros. Cunha relata que, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, estudantes que depois se tornariam políticos e juízes treinavam a luta, equiparando-a ao boxe inglês.“PERIGOSO ESPORTE”A chegada da República, em 1889, não mudou a perseguição aos capoeiristas. O primeiro Código Penal do Brasil republicano, de 1890, determinava a prisão de dois a seis meses para quem fizesse “nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação capoeiragem”. A lei ressaltava que era circunstância agravante pertencer o capoeira a alguma “banda ou malta” (quadrilha, na linguagem atual) e que para os chefes a pena seria em dobro.Mas a dança-luta continuava vencendo brigas. Em 1908, o jornal Correio Paulistano já considerava a capoeira “um esporte”, mas com uma ressalva: “um perigoso esporte”.Com o passar do tempo, a perseguição foi diminuindo. No Código Penal seguinte, de 1940, a capoeira não era mais considerada crime. Em 1953, o presidente do Brasil na época, Getúlio Vargas, assistiu em Salvador (BA) a uma apresentação do mestre Bimba, foi fotografado com os capoeiristas e declarou: “A capoeira é o único esporte verdadeiramente nacional”.Desde a década de 20, Manuel dos Reis Machado, o mestre Bimba, esforçava-se para tirar a capoeira da marginalidade. Em 1932, fundou em Salvador a primeira academia da luta no Brasil: a Academia-Escola de Cultura Regional. O nome capoeira ainda não podia aparecer. Com a foto de Vargas, o jogo ganhou mais força e prestígio.O reconhecimento da importância da capoeira veio no âmbito municipal, nacional e até internacional. Em 1985, a CMSP instituiu o Dia do Capoeirista, celebrado em 3 de agosto. Em 2008, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) declarou a roda de capoeira um bem cultural. Seis anos depois, em 2014, foi a agência da ONU para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) que estabeleceu a roda de capoeira como patrimônio imaterial da humanidade por representar “a resistência negra no Brasil durante a escravidão”.Atualmente, a capoeira é praticada nas rodas de São Paulo e de outras cidades em cerca de 150 países, dando rabos de arraia e rasteiras no preconceito. Salve, camarás!Edição: Sândor Vasconcelos sandor@saopaulo.sp.leg.br
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]