2- OS CAMINHOS DAS “BANDEIRAS” E OS REFERENCIAIS GEOGRÁFICOS2.1- Os principais caminhos para Minas e o caso do morro do Lopo Desde o século XVI, expedições abriram vários caminhos em busca de riquezas principalmente em território mineiro. Em um primeiro momento as tentativas de descobrimento vinham do nordeste em direção ao sertão, com as “Entradas”.Temos os principais caminhos descritos por Antônio Gilberto Costa:13Entre 1553 e 1554 aconteceu a “Entrada” de Francisco Bruzza de Spinosa (Fig. 8), a partir de Porto Seguro, para tentar se chegar a “Serra Resplandecente”. Um primeiro relato do sertão se inicia, tendo sempre marcos geográficos como referenciais, mesmo que para demonstrar a dificuldade que estes impunham à expedição. Segundo descrição do jesuíta João de Aspilcueta Navarro, que acompanhou Espinosa, os sertões eram ‘intratáveis a pés portugueses, dificultosíssimos de penetrar (...), tendo que atravessar inúmeras lagôas e rios(...), os montes fragrosíssimos, os matos espesíssimos, que chegavam a impedirlhes o dia’.14 Em 1561, para se tentar alcançar a região de Sabarabuçu (região da atual Sabará), no território de Minas Gerais, ocorreu a “Entrada” de Dom Vasco Rodrigues Caldas, sendo seguida da de Martim Carvalho em 1568. E assim, sucessivamente várias “Entradas” foram organizadas durante o século XVI, com roteiros partindo principalmente da Bahia e do Espírito Santo. Por outro lado as “Bandeiras” paulistas, no final do século XVI, abriram alguns caminhos partindo de São Paulo de Piratininga incentivadas pelo Governador-Geral das capitanias do sul, Dom Francisco de Sousa. Capistrano de Abreu destaca a posição geográfica estratégica de São Paulo que(...) impelia-a para o sertão, para os dois rios de cuja bacia se avizinha, o Tietê e o Paraíba do Sul, teatros prováveis das primeiras bandeiras, que tornaram logo famoso o temido nome paulista.15 Costa16 relata que um dos primeiros registros de expedições partindo de São Paulo em 1596, é a que foi chefiada pelo Capitão-Mor João Pereira de Sousa Botafogo, e se configura pelo deslocamento seguindo o Vale do Rio Paraíba. E é nessa trilha que se configura um dos mais importantes caminhos partindo de São Paulo, que chegava a Minas, a partir da bifurcação em Guaratinguetá, atravessando a Serra da Mantiqueira pela garganta do Embaú,17 atual cidade de Cruzeiro no Estado de São Paulo (Figs. 6, 8, 9, 10 itens 8, 9 e 11). Também ficou conhecido como “Caminho Velho”. Esse caminho, entre outros, fazia parte de trilhas indígenas que já se encontravam dispostas segundo o sentido dos cursos de água, atravessando os campos abertos ou aproveitando as gargantas naturais, que permitiam a passagem de uma bacia para outra.18 Os mais conhecidos nesta época eram os: “Caminho dos Guaianases” e “Caminho dos Goytacases”. Existia um outro caminho importante que aproveitava também uma trilha indígena, que fez com que as vilas paulistas do Vale do Paraíba se comunicassem com o Rio de Janeiro através de Paraty, no século XVII. Este derivava da bifurcação do caminho paulista para Minas através da garganta do Embaú, só que no sentido oposto, pois seguia a direção do litoral, passando pelos campos de Cunha e pela Serra do Mar (Fig. 10, itens 11, 15 e 16). A descoberta dos rios Sapucay e o Verde, no final do século XVI, foi de fundamental importância para ligação à Goiás (Fig. 10, itens 5 e 6). Conforme Costa,19 em 1596, membros da expedição de Martim Correia de Sá perseguiram índios tamoios próximo a esses rios, e ainda no mesmo ano a Bandeira de João Botafogo, já mencionada, alcançou as regiões dos rios Verde e Sapucahy, após travessia da Mantiqueira pela garganta do Embaú, passando pelo morro do Cachambú em direção ao território Goiano (Fig. 10, itens 1, 3, 9, 12 e 13). [Páginas 4 e 5]Em 1602, foi feito o mesmo caminho passando por estes rios em sentido contrário: a expedição de Diogo Gonçalves Laço e Francisco Proença chegou em Minas a partir do Caminho de Mogi-Guaçu e voltou para São Paulo pelo “Caminho Velho” (Fig. 10). Esse traçado que ligava Goiás a Minas e que passava pelos rios Verde e Sapucahy propiciou o surgimento de uma bifurcação que se ligava ao morro do Lopo, e iria se transformar posteriormente, em importante caminho de “Bandeiras” (Fig. 5 e Fig. 10, itens 4 e 14). Mesmo com algumas iniciativas esparsas, o início do século XVII não propiciou a expansão de Caminhos rumo à Minas, pois, aliada à situação precária de alimentação, em 1624 um Mandado do Capitão-mór Álvaro Luiz do Valle, proibia ‘...sahir gente para o sertão obrigando a gente de armas a se aprestar para a defeza da Capitania...’, os paulistas foram obrigados a continuar inativos no bandeirismo.20 É somente com o fim da união das coroas ibéricas (1580 - 1640), as “Bandeiras” paulistas voltam a ser organizar em direção busca do sonho de encontrar riquezas. A primeira que se tem referência é a de João Pereira em 1643, sendo seguida em 1655 pela de Álvaro Rodrigues, e a partir da década de 60 muitas outras “Bandeiras” saíram em busca de ouro e esmeraldas rumo à serra de Sabarabuçu. A “Bandeira” de Lourenço Castanho Taques, em 1668, foi importante para consolidação dos caminhos para Minas, conforme explica Costa,21 pois enfrentou os ferozes índios cataguazes e araxás. O caminho desta expedição pode ter sido o do Morro do Lopo, porém existem divergências.
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