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Celso “Marvadão” Ribeiro
SÍRIO-LIBANESES EM SOROCABA: O NEGÓCIO É NEGOCIAR...




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#MarvadãoConteúdoOriginal - Quando Sorocaba completou 300 anos, em 1954, a colônia sírio-libanesa radicada na cidade já era marcante. Uma placa colocada na praça Dr. Ferreira Braga, o conhecido Largo do Rosário, registra a doação de uma Fonte Luminosa no local, bancada pela comunidade árabe.

O IBGE registra que no início da década de 1920 já viviam em Sorocaba 182 sírio-libaneses, número que cresceu bastante nas duas décadas seguintes. Assimilaram nossos costumes e enriqueceram nossos hábitos com suas práticas culturais. Nossa cozinha ficou mais diversificada com a chegada da esfiha, do quibe, do tabule, da coalhada seca e do pão sírio.

E o nosso comércio varejista ganhou novas práticas: a redefinição das condições de lucro, a partir da alta rotatividade e alta qualidade das mercadorias, realizando-se venda a prazo, na caderneta, com promoções criativas e liquidações. Enfim, a encantadora linguagem comercial. Nisso tudo, o prazer de recepcionar, envolver, encantar. O negócio dos sírio-libaneses sempre foi negociar... Uma forma também de relações públicas e de convívio social.

Relato feito por revista da Associação Comercial de Sorocaba de 2012 traz saudosas referências de lojas de famílias árabes no centro da cidade, no início dos anos 1950.

Na Rua Dr. Braguinha, havia lojas da família Teruz, de artigos musicais e de tecidos. A Teteia Paulista, na esquina com a Rua Barão do Rio Branco, de Abbud Bachir Abdalla, vendia tecidos finos. Do outro lado do cruzamento, estava a loja Três Irmãos (Gito, Fufa e Lalo), da família Latuf. Por ali ficava a Loja do Sol e a Barão Tecidos, da família Abib, que vendiam roupas masculinas. Na calçada da Livraria Gutierres (Dr. Braguinha), ficava a loja de retalhos de Tuffi Aidar, onde sua filha Júlia confeccionava flores em papel crepom. Rosa Amary cobria botões na mesma calçada e, ao lado, Sofia vendia doces árabes. Outra loja de tecidos era a de Elias Stefano.

O comércio árabe tinha outros pontos. Na Rua da Penha, esquina com a rua Cel. Benedito Pires, ficava a loja de João Maluf, também de tecidos e retalhos. Em 1955, nascia o Camiseiro, de Elias Cardum, de roupas masculinas, loja ainda em atividade, em outro endereço. Na avenida Souza Pereira, próximo do Largo do Canhão, ficava o Depósito do Salomão (loja São Bento) de Salomão José, e a família Atala estava localizada no Hotel São Paulo. Na Rua São Bento, quase na esquina com a Barão do Rio Branco, ficava o estabelecimento da família Hatem. Os Stefan já tinham a sua mercearia nos altos da Rua da Penha, ao lado da antiga fábrica de facões de Alfredo Soares.

Na rua Sete de Setembro, desde os anos 1940, Abrão Reze mantinha sua revenda de automóveis. Do outro lado do rio Sorocaba, funcionava a loja de colchões da família Faquerdine, enquanto Elias Antônio José comercializava tecidos no atacado, na Avenida São Paulo.

NOMES MARCANTES DO COMÉRCIO E DA VIDA SOROCABANA

Em 2019, a Associação Comercial recepcionou Rudy El Azzi, cônsul do Líbano, com participação da União Árabe de Sorocaba, presidida por Emílio Elias Sabeh, para estreitar o relacionamento do consulado com a comunidade e as autoridades locais.

Foi quando se informou que existem em Sorocaba pelo menos 150 famílias de origem sírio-libanesa. Entre elas: Athie, Amary, Maluf, Sabeh, Aidar, Bachir, Hanna, Abbud, Abdalla, Abib, Abibe, Reze, Mansur, Faquerdine, Jamal, José, Rachid, Paccos, Farah, Miguel, Saker, Gallep, Hage, Stefano, Aduan, Nagib, Jacob, Marum, Temer, Mussi, Stefan, Morad, Dib, Lauand, Diebe, Kalil, Bittar, Jbele, Sabbag Ayub e muitos outros.

As famílias mais tradicionais da colônia árabe de Sorocaba não fogem da história das demais que imigraram para o Brasil a partir do final do século 19. Na grande maioria, formada por famílias cristãs, que fugiam dos conflitos da região do Líbano e da Síria por razões econômicas (falta de terras livres na partilha das famílias), políticas e religiosas, num contexto de domínio muçulmano do Império Turco-Otomano.

Saíam dos portos de Beirute e Trípoli em direção ao Brasil. No passaporte eram registrados como “turcos”. Muitos desembarcavam no Porto de Santos e subiam a Serra do Mar por trem, em direção sobretudo à cidade de São Paulo e dali alguns para o interior do Estado, sobretudo para a região oeste.

Na capital, a colônia se radicou sobretudo nas imediações da Avenida 25 de Março, implantando ali a prática do varejo popular, no espaço que hoje é considerado o maior centro comercial do Brasil. No interior, preferiam cidades com tendência de expansão industrial e urbana, como Sorocaba, onde prosperava a indústria têxtil e havia boas condições para a atividade comercial.

Os sírio-libaneses não vieram para o Brasil já com emprego garantido, estimulados por acordos do governo com fazendeiros que precisavam de mão de obra barata. Vinham por vontade própria, para exercer atividade de subsistência, sem posses, apenas com o “capital” da sua capacidade nata de negociar. Alguns até foram para as regiões cafeeiras, mas para “mascatear”, com suas maletas com miudezas em geral, no lombo de mulas, depois em carroças.

À medida que a atividade de mascate melhorava a condição de vida, estabeleciam família, montavam suas pequenas lojas, armarinhos de roupas e tecidos, casas de secos e molhados. Com o tempo, ampliavam seus estabelecimentos comerciais para lojas maiores, alguns saindo do varejo e dedicando-se ao atacado e até à atividade industrial.

No começo, ficavam hospedados em casas de “patrícios” (conterrâneos) e iam formando laços com os “brimos” (primos), que é como tratavam seus novos amigos brasileiros. E assim iam formando sua rede, sua clientela, sua freguesia. A expressão “turco da prestação” era uma forma afetiva de se referir à prática comercial que implantavam, de grande aceitação popular.

(Este texto faz parte do livro 100 Anos da Associação Comercial de Sorocaba, escrito por mim)





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Casa Tuffy
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