Pero Lopes de Sousa, Senhor de Alcoentre e Tabarro. Consulta em Wikipedia
5 de novembro de 2024, terça-feira Atualizado em 04/11/2025 00:47:25
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Pero Lopes de Sousa (morto em Alcácer-Quibir, 1578) foi um fidalgo português do século XVI. Era filho e herdeiro de Martim Afonso de Sousa, fidalgo e navegador português mais conhecido por ter iniciado a colonização do litoral do atual Brasil. Herdou as posses de seu pai após a sua morte em 1564. Morreu em 1578, na batalha de Alcácer-Quibir.
Vida
Pero Lopes de Sousa era filho primogénito de Martim Afonso de Sousa e de sua legítima esposa Ana Pimentel, oriunda de nobre família espanhola. Em data incerta, casou-se sem o consentimento de seus nobres pais com uma mulher de nobreza inferior, Ana da Guerra, filha do escrivão da puridade do Senhor Infante D. Luís, Francisco Pereira.
Dessa união nasceram Mariana de Sousa Guerra (que viria a casar com Francisco de Faro, futuro Conde do Vimieiro ), Martim Afonso de Sousa (que também foi morto em combate na Batalha de Alcácer Quibir, lutando ao lado de seu pai), Lopo de Sousa, que sendo filho secundogénito viria a ser o herdeiro , visto que o irmão primogénito morreu juntamente com o pai), Miguel de Sousa e Manuel de Sousa (que depois de professar se fez chamar frei António de Sousa).
Em 1564, herdou do pai a capitania de São Vicente, da qual foi o 2.º donatário. Foi feito alcaide-mor de Rio Maior e tornou-se senhor do morgado de Alcoentre e Tagarro.[1] Esteve entre os fidalgos convocados por El-Rei rei Sebastião I (r. 1557–1578) para participar na expedição contra o Sultanato Saadiano (atual Marrocos) e foi morto em combate na Batalha de Alcácer-Quibir, junto com seu filho primogénito Martim Afonso de Sousa. Foi sucedido por seu filho Lopo de Sousa.[2]
Mariana de Sousa Guerra, Condessa do Vimieiro, (Lisboa, ca. 1570 — Madrid, após 1645) foi uma fidalga portuguesa. Foi a 4ª donatária da Capitania de São Vicente e a 1ª donatária de Capitania de Itanhaém.FamíliaFilha de Pero Lopes de Sousa, Senhor de Alcoentre e Tagarro, alcaide-mor de Rio-Maior e 2º donatário da Capitania de São Vicente,[1] foi a 4ª donatária da Capitania de São Vicente, por herança de seu irmão Lopo de Sousa, 3º donatário.Mariana de Sousa Guerra era neta do 1º donatário da Capitania de São Vicente, Martim Afonso de Sousa,[2] que fundou as vilas de São Vicente, Santos, Itanhaém e São Paulo.BiografiaEm 1584, Mariana de Sousa Guerra, casou-se com Francisco de Faro (ca. 1551 - 1617), Senhor do Vimieiro, o qual foi feito Conde do Vimieiro por uma vida, por El-Rei D. Filipe II de Portugal (III de Espanha) em 1614. Foram pais de Fernando de Faro nascido em 1586, e de Sancho de Faro, nascido em 1590.Em 1610, faleceu seu irmão Lopo de Sousa, 3º donatário da Capitania de São Vicente. Teoricamente o território sob sua jurisdição podia ir da região de Paraty, até Paranaguá, na Capitania de Santana, mas estava interpolado por dez léguas de costa pertencentes à Capitania de Santo Amaro, a qual não tinha sido povoada pelo capitão-donatário original: seu tio-avô Pero Lopes de Sousa.Para o interior, seu território estendia-se até ao meridiano do Tratado de Tordesilhas, embora, durante a União Ibérica, ninguém pensasse em demarcar essa linha no terreno, pelo que era frequentemente violada pelos paulistas.Segundo o testamento do seu avô, Martim Afonso de Sousa, na ausência de filhos varões do primogénito, Pero Lopes de Sousa, Senhor de Alcoentre e Tagarro, segundo donatário da Capitania de São Vicente, todos os bens vinculados seriam herdados por um filho varão de sua filha D. Inês Pimentel, sendo que o único sobrevivente em 1610 era D. Luís de Castro, 5.º Conde de Monsanto (1560 - 1612), o qual naturalmente reivindicou os bens vinculados por seu avô Martim Afonso de Sousa, suscitando a contra-reivindicação de Mariana de Sousa Guerra,No entanto, as doações da Coroa, por virtude da Lei Mental, promulgada por El- Rei D. Duarte de Portugal, precisavam da dispensa e confirmação de El-Rei sempre que saíam da linha direta masculina.A mãe de D. Luís de Castro, 5.º Conde de Monsanto, D. Inês Pimentel, já obtivera dispensa da Lei Mental à data do testamento do pai, provavelmente por ocasião do seu casamento com D. António de Castro, 4.º Conde de Monsanto. Já Mariana de Sousa Guerra, se quizesse herdar as donatarias de seu falecido irmão, teria de obter uma dispensa especial, o que era processo longo e complicado a impetrar junto da corte espanhola. Entretanto, era El-Rei D. Filipe II de Portugal (III de Espanha) quem nomeava os capitães-mores que governavam a capitania.Além disso, D. Luís de Castro, 5.º Conde de Monsanto (1560 - 1612) também herdou a Capitania de Santo Amaro por testamento de D. Jerônima de Albuquerque e Sousa, última descendente (após a morte dos irmãos) do 1º donatário da Capitania de Santo Amaro Pero Lopes de Sousa, (irmão caçula de Martim Afonso de Sousa), a qual incluía, não só a quase desabitada Ilha de Santo Amaro, mas também a então florescente vila de São Paulo dos Campos de Piratininga, a qual havia sido povoada a partir de São Vicente.Na realidade, a Ilha de Santo Amaro não tinha atividade económica, mas apenas fortalezas essenciais à defesa do porto de Santos, sito na vizinha Ilha de São Vicente.Pelo contrário, São Paulo era uma vila próspera, mas só era acessível através do porto de Santos.Por isso mesmo, D. Luís de Castro, 5.º Conde de Monsanto (ca. 1560 - 1612) reivindicou a Capitania de São Vicente, a qual foi contra-reivindicada por D. Mariana de Sousa Guerra.Durante a pendência da lide, foi El-Rei D. Filipe II de Portugal (III de Espanha) quem nomeou Capitães-Mores comuns a ambas capitanias, tendo nomeado o último (Martim de Sá) por Carta-Patente de 2 de fevereiro de 1618, por um período de 3 anos.Em 1615, D. Álvaro Pires de Castro e Sousa (c. 1590 - 1674), 6.º Conde de Monsanto, por herança do entretanto falecido pai, obteve sentença que lhe deu ganho de causa.A sentença foi confirmada por El-Rei D. Filipe II de Portugal (III de Espanha) em 1617.Em 1620, antecipando o fim do mandato do capitão-mor nomeado por El-Rei (Martim de Sá), D. Álvaro Pires de Castro e Sousa nomeou como seu Capitão-mor a Manuel Rodrigues de Morais, dando-lhe expresso mandato para tomar posse das vilas de São Vicente, Santos, Itanhaém, São Paulo, e todas as mais vilas que então estivessem pelo sertão.Manuel Rodrigues de Morais chegou ao Brasil em 1621 e, "prevendo que lhe podiam meter em dúvida a dita posse", começou por obter provisão do Governador-Geral em que o mesmo ordenava às Câmaras das ditas Vilas que lhe dessem posse.Em 1621, o capitão-mor enviado por D. Álvaro Pires de Castro e Sousa, 6.º Conde de Monsanto, munido da provisão do Governador-Geral, tomou posse das vilas de São Vicente e Santos. Não há provas de que tenha tomado posse das vilas de São Paulo ou de Itanhaém.Aliás, disseram-lhe na Ilha de São Vicente de que não havia vilas na Capitania de Santo Amaro, o que era inexato, pois São Paulo fica ao norte do paralelo geográfico que tem origem no ponto da costa que fica diante do braço de mar que separa as ilhas de São Vicente e Santo Amaro e a linha divisória entre as duas capitanias seguia pelo paralelo geográfico.Em 1623, Mariana de Sousa Guerra, obteve de El-Rei D. Filipe III de Portugal (IV de Espanha), a dispensa da Lei Mental e reconhecimento do seu direito como donatária da Capitania de São Vicente.D. Álvaro Pires de Castro e Sousa (ca. 1590 - 1674), 6.º Conde de Monsanto, reagiu, pedindo ao Tribunal da Relação da Baía a demarcação das duas capitanias. O mesmo Tribunal decidiu que a demarcação entre as duas capitanias passava pelo braço de mar situado em frente da vila de S. Vicente e não pelo braço de mar que passava em frente da vila de Santos. Tal sentença significava, por absurdo que pareça, que a Ilha de São Vicente pertencia à Capitania de Santo Amaro. Saliente-se que tal sentença foi proferida, não na corte espanhola, mas num tribunal brasileiro que, em princípio, devia conhecer melhor a geografia local.Foi por isso que o capitão-mor (João de Moura Fogaça) enviado por D. Mariana de Sousa Guerra, entretanto Condessa-Viúva do Vimieiro, para tomar posse da Capitania de São Vicente, quando chegou ao Brasil, em 1624, apenas logrou tomar posse da vila de Itanhaém.A partir de então, a capitania de D. Mariana de Sousa Guerra começou a ser conhecida por Capitania de Itanhaém.D. Mariana de Sousa Guerra procurou compensar as perdas começando o povoamento do Vale do Paraíba Paulista, cuja produção podia ser exportada através de Paraty na Capitania Real do Rio de Janeiro.Foi com esse objetivo que, em 1636, deu a Jacques Felix procuração para explorar os sertões do Vale do Paraíba e ampliar “o conhecimento das terras da referida condessa”.[3] Já em 1632, concedera a Jacques Felix uma sesmaria, onde, mais tarde, seria fundada a Vila de São Francisco das Chagas de Taubaté, primeira cidade e núcleo irradiador do Vale do Paraíba.[4]D. Alvaro Pires de Castro e Sousa (ca. 1590 - 1674), 6.º Conde de Monsanto, foi dos mais entusiásticos apoiantes da Restauração da Independência, na Revolução do 1.º de Dezembro de 1640, que pôs fim à monarquia dualista da Dinastia Filipina iniciada em 1580, tendo sido recompensado com o título de Marquês de Cascais logo em 1643.Pelo contrário, D. Mariana de Sousa Guerra, após o fim da União Ibérica permaneceu na corte de El-Rei Filipe III de Portugal (IV de Espanhal), pelo que, a partir de 1640, nunca mais pode exercer os poderes que reivindicava sobre a Capitania de São Vicente.D. Mariana de Sousa Guerra, apesar de ser donatária, nunca esteve no Brasil, administrando sempre a partir da corte espanhola, onde passou a maior parte da sua vida como dama da corte, sem o que não poderia prosseguir eficazmente os seus interesses. Assim sendo, designava Capitães-Mores com competência para administrar a Capitania de São Vicente sob suas ordens.D. Mariana de Sousa Guerra, na realidade, foi apenas donatária da Capitania de Itanhaém de 1624 até 1640. Apenas formalmente se intitulava donatária da Capitania de São Vicente (1623/1645), visto que nunca conseguiu tomar posse da Ilha de São Vicente.Tendo sobrevivido aos seus dois filhos varões que morreram ao serviço de El-Rei Filipe IV de Espanha (Fernando de Faro, Senhor do Vimeiro, morreu em Madrid em 1641, e Sancho de Faro, Senhor de Alcoentre e Tagarro, morreu na Flandres em 1645) e desejando, ela própria, permanecer na Corte de Madrid, apesar do fim da União Ibérica, deu a capitania em dote a sua neta D. Mariana de Faro e Sousa, filha de seu filho segundo Sancho de Faro, quando esta se casou com o 1.º Conde da Ilha do Príncipe.Os Condes da Ilha do Príncipe continuaram a disputa judicial pela posse da Ilha de São Vicente. Foi isso que levou D. Luís Álvares de Castro (1644 - 1720), 2.º Marquês de Cascais e 7.º Conde de Monsanto, a transferir oficialmente a sua capital para a Vila de São Paulo, a qual era indiscutivelmente sua, visto que se situava claramente a norte dos paralelos que se podiam traçar a partir da disputada Ilha de São Vicente pertencendo, portanto, à Capitania de Santo Amaro que ninguém lhe disputava.
Francisco de Faro (c. 1551 — Lisboa, c. 1617), Senhor do Vimieiro, recebeu em 1614 o título vitalício de Conde do Vimieiro, dado por Filipe II de Portugal (III de Espanha), durante a União Ibérica.BiografiaFoi filho de Francisco de Faro (circa 1510-1580), Senhor do Vimieiro, com a sua segunda esposa Guiomar de Castro e da Cunha.Com efeito seu pai teve 3 esposas: a) casou c. 1539 com Mência Henriques de Albuquerque, Senhora de Barbacena, (morta em 1546); b) casou c. 1550 com Guiomar de Castro e da Cunha (morta c. 1559), mãe deste filho homónimo; c) casou em terceiras núpcias com Maria de Mendoza e Corte-Real.Francisco de Faro (o filho que veio a ser conde) casou-se em 1584 com Mariana de Sousa Guerra, neta de Martim Afonso de Sousa, a qual viria a herdar a Capitania de São Vicente, por morte de seu irmão Lopo de Sousa em 1610.Filhos1.º Fernando de Faro (1586-1641, Madrid), Senhor de Vimieiro; casado c. 1636 com Teresa Manrique de Mendoza (c. 1615-1657) Duquesa de Naxera.2.º Sancho de Faro (c. 1590-1644, Flandres), Senhor de Alcoentre e Tagarro, casado c. 1632 com Isabela de Luna (morta depois de 1646), os quais foram pais de:a) Diogo de Faro e Sousa (Flandres 1633-1698 Lisboa). Senhor do Vimieiro, casado em 1658 com Francisca de Menezes de Noronha (morta em 1668);b) Mariana de Faro e Sousa casada com Luís Carneiro de Sousa, primeiro Conde da Ilha do Príncipe.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]