12 de novembro de 2024, terça-feira Atualizado em 24/10/2025 20:40:38
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Bardesanes (154 — 222 (68 anos)), foi um gnóstico siríaco, fundador do "bardesanismo" e um cientista, estudioso, astrólogo, filósofo e poeta, particularmente reconhecido por seus conhecimentos sobre Índia antiga, sobre a qual escreveu um livro, hoje perdido[1]. É considerado por alguns como criador da literatura siríaco-cristã.[2]
Biografia
Bardesanes nasceu em 11 de julho de 154 (ou 164?) em Edessa, a capital do Reino de Osroena, de pais ricos. Para homenagear a cidade de seu nascimento, seus pais o chamaram de "Filho de Daisan", o rio em cujas margens está Edessa. Por conta de sua origem estrangeira, ele é às vezes chamado de "o Parta" (por Sexto Júlio Africano), ou "o Babilônio" (por Porfírio). E, por conta de suas atividades posteriores na Armênia, "o Armênio" (por Hipólito de Roma), enquanto que Efrém o chama de "filósofo dos arameus" (Filosofa d-Aramaye)[3]. Seus pais partos, Nuhama and Nah ´siram, devem ter sido pessoas de certo status, uma vez que seu filho foi educado juntamente com o príncipe-herdeiro do reino Osroena, na corte de Abgar Manu VIII.
Por causa de distúrbios políticos em Edessa, Bardesanes e seus pais se mudaram por um tempo para Hierápolis Bambice. Lá, o garoto foi criado na casa de um sacerdote pagão chamado Anuduzbar. Na escola, sem dúvida, ele aprendeu todas as minúcias da astrologia babilônia. um treinamento que para sempre marcou a sua mente e provou ser a sua perdição futuramente. Com a idade de vinte e cinco, ele teve a oportunidade de ouvir as homilias de Hístaspes, o bispo de Edessa, recebeu sua instrução, foi batizado e chegou até mesmo a ser admitido no diaconato ou no sacerdócio, embora neste caso a palavra pode ter significado apenas que ele estava entre outros no colégio de presbíteros, uma vez que ele continuou sua vida como leigo, teve um filho - chamado Harmônio - e, quando Abgar IX, o amigo de infância, ascendeu ao trono em 179, ele tomou um lugar ao seu lado na corte. Ele claramente não era um asceta e se vestia com luxo "com berilos e cafetã", de acordo com Efrém[3].
Epífanes e Bar Hebreu afirmam que ele primeiro foi um cristão ortodoxo e, depois, um aderente de Valentim.
Talvez por causa das perseguições de Caracala, Bardesanes se retirou por um tempo até a Armênia e, conta-se, que ele lá pregou o Cristianismo sem muito sucesso, além de ter composto uma história dos reis armênios.
Encontro com religiosos da ÍndiaPorfírio afirma que uma vez, em Edessa, Bardesanes entrevistou um conjunto de homens sagrados da Índia (chamados de Sramanas), que para ali tinham sido enviados pelo imperador romano Heliogábalo (ou outro imperador da dinastia severa), e questionado-os sobre a natureza da religião indiana. O encontro está descrito na obra de Porfírio chamada "Sobre a abstinência de carne"[4] e em Estobeu (Eccles., iii, 56, 141).
Obras
Bardesanes aparentemente foi um autor muito prolífico. Embora quase todas as suas obras tenham se perdido, sobreviveram as seguintes (ainda que em trechos citados em obras de terceiros):
Diálogos contra Marcião e Valentim[5][6].
Diálogo "Contra o Destino" endereçado a um "Antonino". Se este Antonino é meramente um amigo de Bardesanes ou um imperador romano e, se for, qual dos Antoninos, é tema de grande controvérsia. Também não é claro se este diálogo é idêntico ao "Livro das Leis dos Países"[5][7].Um "Livro de Salmos", com 150 deles[8]. Estes salmos se tornaram famosos na história de Edessa, suas palavras e melodias viveram por gerações nos lábios das pessoas. Apenas quando Santo Efrém compôs hinos com a mesma métrica pentassilábica e as fez cantar nas mesmas melodias que os salmos de Bardesanes é que ele acabou caindo em desuso. É provável que tenhamos hoje em dia uns poucos dos hinos de Bardesanes na obra gnóstica "Atos de Tomé". O Hino da Pérola, as "Esposas da Sabedoria", a prece consecratória do batismo e da comunhão. Destes, apenas o Hino da Pérola é amplamente aceito como sendo de Bardesanes. Embora seja maculado por algumas partes obscuras, a beleza deste hino é surpreendente.Ver artigo principal: Hino da PérolaTratados astrológico-teológicos, nos quais seus pontos de fé particulares foram expostos. Eles são referenciados por Santo Efrém e, entre eles, está um tratado sobre a luz e a escuridão. Um fragmento de um tratado astronômico de Bardesanes foi preservado por Jorge, bispo dos árabes, e republicado por Nau[9].
Uma "História da Armênia". Moisés de Corene afirma que Bardesanes "tendo tomado refúgio na fortaleza de Ani, leu lá os registros do templi nos quais os grandes atos dos reis estavam relatados. A eles, ele acrescentou os eventos de sua própria época. Ele os escreveu em siríaco, mas seu livro foi depois traduzido para o grego". Embora a exatidão desta afirmação não esteja acima de suspeita, é provável que esteja fundamentada em algum fato.
"Um relato sobre Índia". Bardesanes obteve sua informação sobre a Índia dos embaixadores dos Sramana (monges vagantes) ao imperador romano Heliogábalo. Uns poucos trechos foram preservados por Porfírio e Estobeu[10].
Livro sobre as Leis dos Países". Este famoso diálogo, o mais antigo remanescente não somente dos ensinamentos bardesanitas, mas também da literatura siríaca, não é de Bardesanes, mas de um certo Filipe, seu discípulo. O principal narrador, porém, é Bardesanes e não temos porque duvidar de que o que lhe foi posto na boca representa corretamente o que acreditava. Trechos da obra estão preservados na obra de Eusébio[11], em Cesário[12] e, em latim, nos "Reconhecimentos" de Pseudo-Clemente[13].
Um texto completo em siríaco foi pela primeira vez publicado num manuscrito do século VI ou VII agora no Museu Britânico, por William Cureton, em sua Spicilegium Syriacum (Londres, 1855), e por Nau. Há dúvidas sobre se o original teria sido em siríaco ou grego. Nau crê no primeiro. Argumentando contra um discípulo chamado Abida, Bardesanes procura mostrar que as ações humanas não são inteiramente ocasionadas pelo destino, resultado de combinações estelares. A partir disto, o fato de que as mesmas leis, costumes e modos geralmente prevalecem sobre diversas pessoas vivendo numa mesma localidade - ou vivendo mais longe, mas sob as mesmas tradições - Bardesanes procura mostrar que a posição das estrelas no nascimento dos indivíduos não tem muita influência sobre a sua conduta posterior e, daí, o título "Livro sobre as Leis dos Países".
Doutrina
Várias opiniões já se formaram sobre a doutrina verdadeira de Bardesanes. Já no tempo de Santo Hipólito[14], sua doutrina já era descrita como uma forma do valentianismo, a forma mais popular do gnosticismo. Adolf Hilgenfeld, em 1864, defendeu este ponto de vista, baseado majoritariamente em trechos de Efrém da Síria, que devotou a sua vida ao combate do bardesanismo em Edessa[3].
As expressões fortes e apaixonadas de Santo Efrém contra os bardesanitas de sua época não constituem um critério justo da doutrina de seu mestre. A veneração extraordinária de seus conterrâneos, a alusão muito reservada e quase respeitosa feita a ele pelos primeiros Padres da Igreja e, sobretudo, o "Livro das Leis das Nações" sugerem uma visão mais branda das aberrações de Bardesanes. Ele poderia ser chamado de gnóstico no sentido estrito da palavra pois, como muitos dos primeiros cristãos, ele acreditava num Deus todo-poderoso, criador do céu e da terra, cuja vontade é absoluta e a quem tudo está sujeito. Deus deu ao homem o livre-arbítrio para que ele pudesse obter a salvação e permitiu que o mundo fosse uma mistura do bem e do mal, da luz e das trevas. Todas as coisas, mesmo as consideradas inanimadas, tem liberdade em alguma medida. Em todas as coisas, a luz tem que superar as trevas. Após seis mil anos, a terra chegaria ao fim e um mundo sem o mal tomaria seu lugar[3].
Porém, Bardesanes também acreditava que o Sol, a Lua e os planetas eram seres vivos, a quem, sob Deus, o governo do mundo estava sujeito. E que embora o homem fosse livre, ele era fortemente influenciado - para o bem e para o mal - pelas constelações. O seu catecismo parece ter sido uma estranha mistura da doutrina cristã e referências ao Zodíaco. Talvez inspirado pelo fato de que "espírito" é feminino em siríaco, ele supostamente tinha visões pouco ortodoxas sobre a Trindade. Ele aparentemente negava a ressurreição dos corpos, embora afirmasse que o corpo de Cristo estivesse imbuído com incorruptibilidade, na forma de um presente especial.
Bardesanismo
Os seguidores de Bardesanes, os Bardesanitas, formavam uma seita no século II que foi considerada herética pela Igreja Católica. Até mesmo o filho de Bardesanes, Harmônio, acabou se desviando da doutrina ortodoxa. Educado em Atenas, ele adicionou à astrologia caldeia de seu pai as ideias gregas sobre a alma, o nascimento e a destruição dos corpos, além de uma espécie de metempsicose.
Um certo Marino, um seguidor de Bardesanes e um dualista que já fora refutado no "Diálogo sobre Adamâncio", afirmou que a doutrina do deus primordial duplo, pois o diabo - segundo ele - não teria sido criado por Deus. Ele também era um docetista, pois negava o nascimento de cristo vindo de uma mulher. A forma final do gnosticismo de Bardesanes acabou por influenciar o gnosticismo.
De acordo com Santo Efrém, aos bardesanitas de seu tempo foram dados muitas coisas infantivas e outra, obscenas. O Sol e a Lua foram considerados como "macho" e "fêmea" e as ideias do céu na seita não deixa dúvida sobre a admiração dada pela equipe[3].
Os esforços zelosos de Santo Efrém para tentar suprimir esta poderosa heresia não tiveram sucesso completo. Rábula de Edessa (431 - 432), diz tê-la encontrado por toda parte. Sua existência no século VII foi atestada por Tiago de Edessa, no VII por Jorge, bispo das tribos árabes, no X pelo historiador Almaçudi e até mesmo no XII por Xaxrastani. O Bardesanismo parece ter evoluído primeiro numa forma de valentianismo até chegar ao maniqueísmo comum. Xaxrastani afirma:
“Os seguidores de Daisan acreditam em dois elementos, luz e escuridão. A luz é causa do bem, de forma deliberada e com livre vontade; a escuridão é a causa do mal, porém através das forças da natureza e da necessidade. Eles acreditam que a luz é uma coisa viva, possuidora de conhecimento, poder, percepção e compreensão; e ela é fonte do movimento e da vida. E que a escuridão é morta, ignorante, frágil, rígida e desalmada, sem atividade nem discriminação; e eles defendem que o mal dentro deles é o resultado de sua natureza, fora de seu controle.” — Xaxrastani.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]