Essas viagens, ou monções, aconteciam duas ou mais vezes ao ano, segundo Sérgio Buarque de Holanda:
A história das monções do Cuiabá é, de certa forma, um prolongamento da história das bandeiras paulistas, em sua expansão para o Brasil Central. Desde 1622, numerosos grupos armados procedentes de São Paulo, Paraíba, Sorocaba e Itu, trilharam constantemente terras hoje mato-grossenses, preando índios ou assolando povoações de castelhanos. (...) O próprio Rio Cuiabá, percorre-o Antônio Pires de Campos, não em busca de ouro, mas de gentio Coxiponé, que vivia nas suas beiradas. [p. 41]
Em todos estes relatos eram comuns as denúncias sobre a imposição da escravidão aos Paresi, em que pesem os discursos e até mesmo determinações das autoridades coloniais no sentido de se preservarem estes índios. Nesse sentido, a crônica de José Barbosa de Sá informa que no ano de 1731, semelhantemente ao que apresentam outros relatos citados, ocorreram massacres e escravização da nação Paresi:
Continuandose neste anno do Gentio Paresi de onde eraó trazidos muitos indivíduos desta nascam que como escravos de vendiaó: chegaraõ a esta vila vindos do dito sertaó o Licenciado Pais de Barros seu Irmaó Artur Pais, seus sobrinhos João Martins Claro e José Pinheiro todos naturais da vila de Sorocaba e apresentaraó hum cruzado de ouro e amostra das minas de Mato grosso Lavado com hum prato de estanho no lugar adonde se acha a capela de Santa Anna. [p. 60]