9 de fevereiro de 1960, terça-feira Atualizado em 01/11/2025 06:17:35
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Fonte: Dário da Noite Colocada dentro de um balde, que depois foi colocada dentro de uma geladeira com água e formol, a cabeça do homem encontrada na Praia Grande, está causando, nesta cidade e em Santos os maiores e mais emocionantes comentários, já que, em tempo algum, achado tão macabro originou tantas e tão desencontradas hipóteses.
Tudo começou as primeira horas da tarde do dia 6, quando um garoto, que transitava à beira-mar, na Praia Grande, entre Solemar e Mongaguá, encontrou, semi-sepultada na areira, uma cabeça humana.
O reto do corpo, que se supunha estar nas proximidades, não foi encontrado. A cabeça não apresentava senão leves sinais de deterioração, muito embora fossem visíveis as marcas de mordidas de peixes.
O fato como não poderia deixar de acontecer, obrigou o delegado desta cidade, Sr. Vasnconselos de Camargo, a tomar providências essenciais, que implicavam na remoção da cabeça para o Gabinete Médico Legal de Santos.
Evidentemente, tendo em mãos apenas uma cabeça humana, aquela autoridade policial pouco ou quase nada poderia fazer no sentido de penetrar no mistério que se apresentava. Ainda assim, tomou medidas que pudessem, no futuro, solucionar o fato.
A cabeça humana
A cabeça encontra-se, atualmente, numa das geladeiras do Gabinete Médico Legal de Santos, só as vistas do médico Décio Brandão. Trata-se de uma cabeça de homem da raça branca, aparentemente de 31 a 35 anos de idade.
O couro cabeludo apresenta restos de cabelos nas regiões frontais e ocipital. São cabelos lisos, curtos, de cor castanho claro. Nas órbitas, ainda se encontram os olhos, embora com a cor da iris embaçada pela putrefação.
O nariz e pequeno e afilado. Na cavidade bucal e língua, sem anomalia, apenas sofreu leves transformações naturais da decomposição. A arcada dentaria apresenta 31 dentes, sendo que o maxilar superior mostra-se com a a falta de um incisivo direito, provavelmente por defeito congênito.
Supõe-se que o "dono da cabeça" na sua segunda infância, tenha perdido aquele dente, ocorrendo que os laterais, com o tempo, tenham ocupado o espaço deixado pela sua falta, o que permite que aparente, sem um exame mais demorado, uma dentadura perfeita.
Enquanto que o maxilar superior apresenta 15 dentes, o inferior possui 16. Todos eles muito bem implantados e otimamente desenvolvidos. Apenas no molar inferior direito, a um exame mais cuidadoso, verifica-se a existência de uma pequena carie, assim mesmo superficial.
Os pavilhões auriculares foram comidos por peixes ou outros animais marinhos. Na região frontal esquerda há um pequeno ferimento de forma oval, de meio centímetro, no seu maior diâmetro. Outros ferimentos são encontrados na região malar, nos lábios superior e inferior, provavelmente causados pelo atrito da cabeça contra superfícies ásperas.
O bigode é raspado e a barba feita, com falhas à esquerda do maxilar inferior e a direita da face, também na região maxilar. As vértebras cervicais não apresentam, a um exame rápido, sinais de terem sido cortadas, mas sim, desligadas da vértebra por arrancamento.
A FAB auxilia nas investigações
Assim que as primeiras noticias sobre o macabro encontro foram publicadas, o major comandante da Base Aérea de Santos, entendeu que deveria proceder a uma verificação. Este seu interesse como ponto de partida o fato de estarem desaparecidos, há mais de 40 dias, dois aviadores.
Levantando a hipótese de que a cabeça poderia perfeitamente pertencer e um deles, aquele militar designou o tenente Paulo Abate para auxiliar as investigações e investigar, como bem o entendesse o fato.
A Morte dos Aviadores
No dia 23 de novembro do ano passado, em um avião DC-3 da NAB (Navegação Aérea Brasileira) o major Gustavo Pereira Nunes, da 1a. Zona Aérea, RJ, foi designado para proceder a exame periódico do co-piloto daquele companhia, Edyvan Vieira de Melo.
Quando o aparelho sobrevoada a região entre as Ilhas do Paio e das Rosas, cessaram as suas comunicações coma torre de controle. Momentos depois, aviões da FAB, sobrevoando o local, nada encontraram que pudesse indicar ter o aparelho caído naquela região, porém dias depois, foram encontrados, boiando nas águas, uma roda de avião e um dos seus tanques de gasolina.
Os dois aviadores, então, foram considerados como tendo sido vitimas do desastre. Na mesma ocasião, escafandristas da Marinha, tentaram localizar os restos do aparelho da NAB com o fito de encontrar em seu interior, os dois pilotos. Nada conseguiram.
Correntes Marítimas
Por mais que o desastre tenha ocorrido no Rio de Janeiro, não se pode deixar de lado a possibilidade de a cabeça encontrada na Praia Grande pertencer a um dos pilotos, já que as correntes marítimas do Atlântico, nas cotas brasileiras, compreendida entre os Estados do Rio e SP, seguem em direção ao Sul.
Como a cabeça apresenta vários ferimentos n os lábios, nas faces e no frontal, muito embora não se perceba a existência de ossos fraturados, a hipótese de se tratar de um dos pilotos mais se alicerçou depois que se supos que aquele ferimentos tivessem sido provocados durante o impacto do avião com a água., ocasião em qu eo piloto bateu com o rosto contra o para-brisa ou cujos estilhaços tenham atingido o aviador.
"Não é o meu filho!"
O médico legista Décio Brandão de Camargo apresentou o macabro achado a vários oficiais da FAB sediados em Santos e que conheciam o major Gustavo Pereira Nunes. À primeira vista, estes não tiveram duvidas de encontrar, na cabeça humana, muita semelhança com a conformação facial e craniana da cabeça do major tragicamente desaparecido.
O pai do major morto, que pé médico no Rio de janeiro, ao ver a foto da cabeça, não teve duvidas, em colocar um ponto final na questão, dirigindo-se ao médico legistas com os seguintes termos:
"Não se trata do meu filho. Não é meu filho!"
Mistério
Uma vez afastada a hipótese de se tratar da cabeça do oficial morto naquele desastre, já que poucas são as possibilidades desa cidade outo caminho a seguir, senão enveredar no emaranhado do macabro achado.
Misteriosa cabeça encontrada na praia Data: 05/01/1960 Fonte: Jornal da Noite (@)
ID: 6639
Misteriosa cabeça encontrada na praia Data: 05/01/1960 Fonte: Diário da Noite (@)
ID: 6640
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09/02/1960 ANO:113
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Sobre o Brasilbook.com.br
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]