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autor:22/10/2023 12:57:13
Embriagado, australiano, soldado na primeira guerra, elucidou maior mistério da década

    25 de maio de 1920, terça-feira
    Atualizado em 30/10/2025 15:25:54
  
  
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O corpo de um homem havia sido encontrado desfigurado em um local conhecido como Espraiado, na divisa entre Cravinhos e Ribeirão Preto.A vítima tivera o rosto descarnado, as orelhas e as línguas cortadas e mutilações no crânio. Apresentava ainda inúmeros ferimentos nas costas e uma perfuração no ventre.

Não só em Ribeirão Preto e Cravinhos que o crime repercutiu, abalou profundamente o espírito público de todo o estado, a ponto de se formarem em frente das cadeia grupos de curiosos à espera de novas informações.

Várias circunstâncias faziam com que o crime fosse divulgado: a barbárie com que foi praticado o delito, o destaque e a popularidade das várias pessoas nele envolvidas, o motivo do crime e o profundo, impenetrável mistério que paira sobre a identidade da vítima.

Poucos crimes do gênero haviam custado às nossas autoridades tantos dias de esforço. Os melhores investigadores, aguçados pela recompensa de 250:000$000, quebravam a cabeça.

A polícia recebeu várias cartas anônimas, perseguiu várias pistas, mas não chegou à conclusão alguma.

A verdade vem de um bêbado, ex-soldado na Primeira Guerra Mundial, engenheiro em Sorocaba/SP

Na noite de 17 de Janeiro de 1920, em um "bar" da capital paulista, em companhia dos srs. Boucher Filho e dr. Edmundo Burle, cavalheiros muito conhecidos, bebia o engenheiro australiano Carlos Leman, que trabalhava nas obras da Light, em Sorocaba.

Completamente alcoolizado, Leman começou a fazer curiosas declarações sobre a identidade do cadáver encontrado em Ribeião Preto, o Crime de Cravinhos, dando a perceber que conhecia a vitima.

Extraordinariamente surpresos, os dois companheiros não perderam tempo e nem permitiram que Leman continuasse a beber. Conduziram-no a Chefia da Polícia onde estava o Dr. Bandeira de Mello e ali declararam abruptamente que Leman conhecia a identidade misteriosa da vitima de Pão Alto.

Foi um reboliço enorme. Passado o primeiro momento, os telefones trabalharam, mobilizando pessoal, sendo chamado, em primeiro lugar, o dr. Accacio Nogueiro, diretor do Gabinete de Investigações e Capturas.

Duas horas de ansiedade

Carlos Leman, porém, estava completamente alcoolizado e o mistério foi, primeiro como cura-lo da bebedeira.

Cerca de duas horas decorreram antes que o australiano pudesse responder coerentemente ás indagações. Dissipados, porém os efeitos do álcool, enfim falou:

Declarou chamar-se Carlos Leman, australiano e engenheiro. Durante a Primeira Guerra Mundial havia servido no exército inglês. Foi onde conheceu oficial francês Affonso Deport, de quem se tornou amigo.

Certa vez, Deport lhe dissera ter se casado, em Paris, com uma brasileira, da qual, mais tarde, se separou. Ambos falavam em vir ao Brasil.

Terminada a guerra, Carlos veio para São Paulo, empregando-se na Companhia Armour, como engenheiro. Pouco tempo depois, mudou dali, indo trabalhar em Sorocaba, nas obras da Light, onde ainda residia.

No final de outubro de de 1919, Carlos recebeu uma carta do seu amigo. Pedia-lhe informações a respeito de uma família Alves Ferreira, desde estado, suas condições de fortuna, etc. ao mesmo tempo que anunciava a sua vinda ao Brasil.

De fato, registros comprovam, que no inicio de 1920, pouco antes de ser encontrado o cadáver, o oficial francês chegou em São Paulo e procurou o seu amigo em Sorocaba.

Chegou no Brasil já de posse das informações que pedira e que lhe haviam sido dadas por carta, sobre a família de d. Iria Alves Ferreira. Deport, sem explicar o motivo de sua viagem, convidou Carlos a acompanha-lo á Villa Bonfim, no município de Ribeirão Preto.

Com as noticias da tragédia de Palo Alto, o australiano começou a estabelecer ligações entre os fatos. Guardou, desde os primeiros dias, os jornais e revistas que trataram o caso. E a medida que as hipóteses, sucessivamente inventadas, ia sendo postas de lado, ia-se formando em seu espirito a convicção de que a vitima é Afonso Deport.

Ele disse que demorou a estabelecer ligações entre os fatos. Mas adotando o processo da exclusão, ficou de pé a sua hipótese. Como o intuito de revelar as suas suspeitas a policia, e aos jornais, saiu de Sorocaba e foi para São Paulo, onde hospedou-se numa pensão Alemã, na Rua José Bonifácio. Ali , nas condições que citadas atras, falou a respeito com os senhores Boucher e Burle.

As mais diversas reações surgiram entre as pessoas na Delegacia, algumas perplexas. No dia seguinte, completamente sóbrio, Leman confirmou cada detalhe da história, dando provas incontestáveis de sua identidade e de todas as suas informações.

Estranhamente as autoridades paulistas mantiveram o caso em absoluto segredo. Um trabalho intenso visando desacreditar as declarações do engenheiro tivessem como base receber a recompensa. Um jornal, porém, conseguiu apurar o fato, torndo o fato público e histórico.

A Rainha do Café

Todas as informações apontavam para uma pessoa: A Rainha do Café, Iria Alves Junqueira, mãe de Sinhazinha Junqueira, a quem, todos sabiam, havia se casado na França, porém, ninguém sabia com quem.

Descrita como “mulher empreendedora e incansável, que nobilita seu coração sensível a todas as dores, a todas as necessidades”.

A notícia foi amplamente divulgada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, que mantinha um correspondente na cidade. A reportagem dizia que D. Iria pertencia à numerosa e conhecida família Diniz Junqueira, que possuía inúmeras fazendas em Ribeirão Preto e que seu codinome era “Rainha do Café”.

Iria e o administrador da fazenda Pau Alto, Alexandre Silva, foram presos acusados de serem os mandantes do assassinato de

O crime foi descrito em pormenores, mas a identidade da vítima nunca foi confirmada. Uma das suspeitas é que se tratasse de um ex-genro francês de Iria que tinha chegado a Ribeirão para cobrar sua parte na herança da filha dela, que morrera.

Durante o processo, os executores do crime, funcionários da fazenda de Iria que tinham confessado a participação dela e de Alexandre, voltaram atrás e disseram terem sidos torturados para confessar o que as autoridades queriam ouvir.

O fato é que a prisão de Iria e a divulgação de seu suposto envolvimento com o crime representou a primeira derrocada dos coronéis do café da região. Na época, o mais importante deles, Joaquim da Cunha Junqueira, chefe político do PRP, era justamente o cunhado de Iria.

Presa, ela tinha contra si boa parte dos órgãos de imprensa e a repulsa da sociedade que via no caso uma forma de revide contra o despotismo dos fazendeiros, que usavam a violência como meio eficaz para obter tudo o que queriam.

O início da derrocada do coronelismo, em Ribeirão Preto, deu-se por meio de uma figura feminina, demonstrando que as mulheres até poderiam romper com o seu lugar social, mas muitas vezes eram lembradas ou relembradas de sua representação social.

Em setembro de 1920, depois de permanecer quase um mês em silêncio, os advogados de Iria iniciaram intensa campanha pela sua inocência nos jornais. Fábio Barreto, Camillo de Moraes Mattos e Meira Júnior, todos pertencentes à elite ribeirão-pretana, assumiram a defesa da fazendeira (Os três advogados viriam a ser importantes políticos em Ribeirão Preto).

Uma das teses da defesa era que Iria estava sendo acusada justamente por ser rica, para ser exibida como um exemplo da imparcialidade da polícia e das autoridades do Judiciário.

E isso era alardeado em matérias pagas nos jornais. Os capitalistas, os homens endinheirados que tiveram o prestígio do ouro, ficaram por essa forma expostos doravante, mais do que os pobres diabos sem eira nem beira às suspeitas da polícia.

A “Rainha do Café” nunca mais voltou a morar em Ribeirão Preto, após o processo. Em 21 de novembro de 1927, na cidade mineira de Vespasiano, ditou uma carta a um padre pouco antes de morrer.

Na carta se dizia inocente e atirava contra seus detratores. "Não quero deixar este mundo sem deixar para meus filhos e meus netos as minhas mais puras e santas bênçãos e sem dizer-lhes que não há nada no mundo que se compare à consciência pura, à tranqüilidade da alma [...]

Juro diante de Deus e Maria Santíssima que vão receber minha alma inocente e pura de todas as calúnias que nunca matei ninguém. Nunca nem em pensamento, mal ou pequeno ou grande fiz ao meu próximo e nem pensei em faze-lo. [...]

Por que me caluniaram e por que me difamaram e me perseguiram, eu, inocente, sem compreender o que estava acontecendo? Não sei. Devem sabê-lo as autoridades que deram mão forte aos meus ocultos inimigos, os quais não pensava tê-los, pois nunca fiz mal a ninguém.
"

Pesquisa: Amora G, fonte: Fonte: Arquivo Vermelho (RJ)
facebook.com/sorocaba24hrs/ posts/549943669104717



\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\registros\5060icones.txt



Dn. Iria Alves Ferreira Junqueira*
Data: 01/01/1902
A Rainha do Café


ID: 328


O Crime de Cravinhos
Data: 01/01/1920
Créditos/Fonte: Arquivo Vermelho/RJ
(@) (!)


ID: 6922



EMERSON


25/05/1920
ANO:79
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]