Bar do Gastão comemora 80 anos com quarta geração da família Fasolin. Por João Maurício da Rosa, em portalporque.com.br
26 de março de 2024, terça-feira Atualizado em 06/05/2025 01:34:08
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Em 1944, quando o empresário Humberto Napoleão Fasolin inaugurou seu negócio de bar, mercearia e bocha, nos altos da Vila Santana, seu filho Humbertinho, então com 11 anos, acabara de concluir o quarto ano na escola e foi escalado para trabalhar no balcão. Já aprendera as quatro operações matemáticas e fazia o troco de cabeça.
“Durante o dia eu fazia entrega das mercadorias, à noite atendia a boemia que vinha das oficinas da Sorocabana (Estrada de Ferro). Eles subiam com tudo que é instrumento e passavam a noite cantando músicas de um cantor chamado Gastão (Formenti), daí veio o apelido”, explica sobre o nome do bar o proprietário, Humberto Fasolin, que completa 91 anos de vida em 29 de março próximo, quando o estabelecimento comemora seu 80º aniversário de fundação.
Batizado inicialmente como Bar e Mercearia Santa Rita, em homenagem à igreja vizinha, em 1952 a casa adquiriu sua primeira mesa de “snooker” profissional e passou a conciliar o jogo de mesa com as duas quadras de bocha, que mais tarde seriam totalmente substituídas pela sinuca. Hoje, a Lanchonete e Snooker Bar do Gastão pode ser considerada o mais antigo bar de Sorocaba, sob comando da bisneta do fundador, Karine Fasolin Lopes, e de seu namorado, Mário Almeida.
“Estamos na quarta geração dos Fasolin administrando o bar. Meu avô sucedeu ao meu bisavô, e eu assumi no lugar de minha mãe, Meire”, explica Karine, que reconfigurou a decoração e o cardápio, servindo desde sanduíches comuns de lanchonetes até comidas tradicionais de boteco, como torresmo, caldo de mocotó e bolinho de bacalhau, além de pratos típicos da cozinha italiana, como “porpetas” e pizzas.
Além disso, Karine investe nas redes sociais e adicionou o serviço de entrega em domicílio – atualmente chamado de “delivery”- por aplicativos. O mesmo serviço que Gastão fazia na adolescência, mas pilotando uma charrete puxada a cavalo que ficava amarrado no quintal da casa.
“A maioria dos fregueses era da Sorocabana e da Santa Rosália (tecelagem). Daqui até a Rua Aparecida eu descia com a charrete cheia para fazer entrega nas casas dos funcionários da Santa Rosália. Não havia rua alguma, só picadas no meio do mato. Os funcionários não pagavam nada na hora, o pagamento era feito pela fábrica e descontado no salário”, lembra Humberto.
Foi na Rua Aparecida que ele conheceu a esposa, Olga Figueiredo, que começou a trabalhar na tecelagem aos 14 anos, mesma idade com que Humberto foi registrado em carteira de trabalho como empregado do negócio do pai. “Parece que era nosso destino se casar, pois quando fomos registrados em carteira, a gente nem se conhecia, mas inverteram nossas datas de nascimento. Eu fui registrado como nascido em 29 de maio, que é aniversário dela, e ela no dia 29 de março, meu aniversário”, lembra.
Aos 21 anos, em 1954, criou coragem e foi buscar Olga na frente do colégio Anchieta, na Rua da Penha, e pediu sua mão. Se casaram em 11 de novembro do mesmo ano, e Olga logo passaria a administrar os negócios ao lado dele, que adicionava novos empreendimentos, o que incluía o turismo, fazendo lotação em uma Kombi até as praias de Mongaguá.
Em 1959, decidiu construir uma quadra de futsal em frente ao bar, na época um terreno baldio que o separava da antiga igreja de Santa Rita. “O terreno era alugado pela igreja para circos, touradas e parques de diversão. Saía um circo, entrava um parque, uma tourada. Eu propus fazer uma quadra que também poderia ser usada para as festas e quermesses da igreja”, relata.
Foi assim que nasceu a Associação Atlética Santa Rita, primeiro time a vencer, em 1960, o campeonato da Liga Sorocabana de Futsal, competição mais tarde chamado de “Cruzeirão”, que chegou a ser considerada a maior do mundo nos anos 1970. Este foi o segundo título conquistado pelo bar e mercearia Santa Rita.
Mas a quadra de futsal autorizada por frei Crescencio, logo foi desautorizada por seu substituto, o frei Marciano, a pretexto de construir uma nova igreja, obra que só seria executada bem mais tarde, por outro pároco, o padre Tadeu.
A obra aproveitou o piso reforçado da quadra, que Gastão construiu com pedras extraídas dos barrancos do hoje nobre Jardim Trujillo, mais cimento e piche que ganhou da Companhia Nacional de Estamparia (Ciane) e da indústria Votorantim.
Entretanto, como para a Santa Rita não existem causas impossíveis, o time nunca ficou desabrigado. Humberto logo adquiriu quatro lotes em um terreno nos fundos da Vila Santana, na Vila Gabriel e, em vez de uma quadra, começou a construção de um ginásio de esportes, que até hoje é um concorrido centro de lazer do bairro, contando com futsal, bar e bocha, uma das últimas canchas ainda em atividade em Sorocaba.
“Começamos o alicerce da quadra no dia de São Pedro (29 de junho) e terminamos em outubro de 1962”, conta Humreto. Para arrecadar recursos, ele criou a figura do sócio remido e buscou apoio financeiro junto ao empresário paulistano Luís Gonzaga Martins Costa, que fazia campanha para deputado federal em Sorocaba (em 1962 aconteceriam as últimas eleições gerais no Brasil antes do golpe militar de 1964).
De acordo com Humberto, o empresário era dono de uma indústria de extrato de tomates e presidia a poderosa CNI (Confederação Nacional das Indústrias). Mas não se elegeu por 20 votos. “Ele nos deu 200 cruzeiros e lhe demos 600 votos. Mas ele doou 2 milhões para um clube de Osasco e teve menos votos lá do que em Sorocaba. Talvez se aplicasse mais aqui tivesse mais votos”, acredita.
Filho de peixe
Não bastasse ser construtor de quadras e campeão de futsal, Humberto também foi construtor de canchas de bocha e campeão do esporte através do Bar e Mercearia Santa Rita. Sua equipe venceu o Campeonato Terceiro Centenário de Bocha promovido pela Prefeitura nas comemorações dos 300 anos do aniversário de Sorocaba, em 1954, mesmo ano de seu casamento com Olga.
“Havia 52 canchas de bocha em Sorocaba, aonde você ia, em qualquer barzinho, tinha gente jogando bocha”, lembra. Com a popularidade alcançada nessa época, mais tarde Humberto passou a ser, também, construtor de canchas em Sorocaba e região, chegando a construir uma para o clube social da Portuguesa de Desportos, no Canindé, em São Paulo..
Ele não apenas construía canchas como inovava, chegando a criar um piso especial à base de cimento e gesso onde as bolas, então de madeira, não pulavam e escorriam como as bolas de boliche atuais. Mais tarde inventou um jogo de bocha que era praticado sobre uma mesa, que teve entre seus jogadores o ex-prefeito Teodoro Mendes.
Embora aposentado, Humberto bate ponto no bar diariamente e passa o dia sentado em uma cadeira na calçada em frente, olhando para a parede lateral da nova igreja de Santa Rita. “Está construída em cima de nossa quadra”, costuma dizer. Sua casa fica no centro da Rua Fosch Baddini, na verdade um quarteirão inteiro de sobrados de propriedade da família, que ele e a esposa foram construindo junto com o patriarca Humberto Napoleão.
“Batizar o primogênito de Humberto se tornou uma tradição. Meu irmão mais velho se chama Humberto Figueiredo Fasolin”, comenta a filha caçula, Marisa Fasolin Gutierre, que é proprietária do Bar Porções, estabelecido há 38 anos na mesma Rua Aparecida onde Humberto conheceu sua mãe.
Ao frequentar o bar mesmo depois de aposentado, ele repete comportamento de seu pai o fundador do negócio, que não arredou pé dali até seu falecimento em 1988, aos 86 anos. Humberto Napoleão, porém, não só vendia bebidas, como também fabricava. “Meu pai era químico de carteirinha”, ele diz, embora Humberto Napoleão nunca tivesse frequentado uma universidade.
“Quando era menino, meu pai trabalhava numa indústria de bebidas em Araçatuba. Quando veio para Sorocaba, começou um negócio de vender mortadela e salame aos pedaços para bares e restaurantes. Ele percorria a cidade de charrete”, conta. Mais tarde, quando a família morava na Vila Angélica, costumavam fazer piquenique em uma área verde onde havia uma fonte de água.
“Um dia meu pai pegou uma amostra da água e mandou fazer análise no Instituto Adolf Lutz. Era água mineral. Passou a envazar em garrafões de cinco litros e vender”. O negócio de água mineral prosperou e logo Humberto Napoleão começou a fabricar vermute, bitter, menta, conhaque de alcatrão e refrigerantes. As bebidas eram produzidas, engarrafadas e distribuídas para bares de Sorocaba e região com rótulo da Bebidas Santa Angélica.
“Foi com os recursos da fábrica que meu pai adquiriu este quarteirão e começou os novos negócios”, informa Humberto, sentado em uma espécie de escritório instalado no corredor de acesso à sua residência.
Aos sábados, antes da neta Karine chegar com Mário para abrir o bar, ele se reúne com uma turma de amigos que o acompanham desde sempre, todos de cabeça branca, alguns com a calvície reluzindo ao sol e outros esnobando cabelos ornamentados com rabo de cavalo.
Nestes dias de sol escaldante, as cadeiras saem da calçada e ficam no escritório, com apenas uma parede separando a residência do bar. Os amigos se despedem, com a chegada da reportagem, para que Gastão possa ser entrevistado. Uma hora depois, Karine e Mário chegam carregando sacolas de feira para abastecer a cozinha da lanchonete.
Pergunto se posso ir, pois Humberto, com mobilidade reduzida, não ficará mais sozinho. Ele se levanta e começa a exercitar-se com um peso de academia, como a provar que ainda é ativo. Esqueci-me de perguntar, quando foi que Olga o deixou? “Vai fazer três anos, ela partiu em 7 de julho de 2021, no meio da pandemia”, ele responde e os olhos começam a marejar.
Foram 67 anos de namoro e casamento. “Foi dona Olga foi quem administrou as construções e por muitos anos tocou sozinha uma loja que fornecia de tudo o que o povo de Vila Santana precisava”, recorda-se Marisa, dirigindo seu carro pela rua Bartolomeu Gusmão, uma das principais vias do antigo matagal do Além Linha, hoje denominado Vila Santana.
R. Foschi Baddini, 40 - Vila Santa Rita Data: 01/01/1944 Créditos/Fonte: g1.globo.com Família Fasolin/Arquivo pessoal
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EMERSON
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Sobre o Brasilbook.com.br
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]