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Efemérides – 8 de junho
8 de junho de 2018/em Efemérides /por Evelina
1545 – Brás Cubas toma posse do cargo de Capitão-Mor da Capitania de São Vicente, segundo assevera Frei Gaspar da Madre de Deus, em suas “Memórias para a História da Capitania de São Vicente”. Entre seus primeiros atos, destaca-se a 19 do mesmo mês, a concessão do fôro de vila ao povoado de Porto de Santos, nome abreviado de “Todos os Santos”m, designação do hospital edificado pelo ilustre capitão-mor.
1550 – O ouvidor geral Pedro Borges convoca o capitão mor, os camaristas e os homens bons do governo da vila de São Vicente, a fim de que determinem o preço do resgate do serviço dos escravos índios, com mais eqüidade que anteriormente.,
1644 – Alvará régio concede a Salvador Correa de Sá e Benevides, administrador das minas de São Paulo, a prerrogativa de investir pessoas em hábitos das 3 ordens militares e no fôro de fidalgo com hábito da Ordem de Cristo, a descobridor de novas minas e outras nomeações a cavaleiros e moço de câmara. (Pedro Taques)
1644 – D.João IV escreve a Francisco da Fonseca Galvão, incumbindo-o de dar “Toda a ajuda e favor para se estabelecer casa de moeda de oiro em a Villa de São Paulo”. (A.Taunay)
1793 – A Câmara Municipal de São Paulo ordenou se escrevesse às oito Vilas da Comarca de São Paulo, a saber: a de São Vicente, de Santos, de Itanhaém, a de Taubaté, a de Moji das Cruzes, a de Parnaíba, a de Sorocaba e a de Itu, para que remetessem as respectivas partes que se comprometeram a fornecer para o ordenado do ouvidor por seus procuradores, em 1791.(Atas, vol XIX)
1818 – É criada, por provisão régia, a freguesia do Senhor Bom Jesus do Brás, antiga Capela, no subúrbio da Capital, fundada por João Brás. (Cron.Paulista- J.Ribeiro)
1852 – É elevada a freguesia a capela curda do Senhor Bom Jesus do Arujá, no município de Moji das Cruzes. (Cron.Paulista-J.Ribeiro; Leis Provincianas)
1861 – O 28º Presidente da província, João Jacinto de Mendonça passa a exercer as funções de seu cargo, recebendo-o do vice-presidente Manuel Joaquim do Amaral Gurgel. Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, era formado em medicina. Sua administração se estenderia até 24 de setembro de 1862.(Galeria dos Pres. da Província – Eugenio Egas)
1867 – Nasce, em Rio Claro, o professor José Mariano Correa de Camargo Aranha, que foi lente catedrático de Direito Público e Constitucional da Faculdade de Direito de São Paulo. Regeu, ainda as Cadeiras de Direito Criminal e Teoria e Prática do processo Criminal. Monarquista intransigente, foi redator chefe do jornal “O Império”, fundado em 1899. Faleceu a 27 de setembro de 1913 ( A Congr. da Fac. de Direito – Waldemar Ferreira).
1877 – Circula o único número do “Jornal”, de Terentillo Arsa. Este era o pseudônimo de Américo Brasiliense. Insere matéria de combate à monarquia e à regência da Princesa Isabel. (Imprensa Periódica – A. de Freitas)
1881 – Pela lei nº 65, a Assembléia Provincial Legislativa concede à Companhia Bragantina uma dilação de sete meses, no prazo que tem para concluir as obras da Estrada de Ferro Bragantina.(Leis Provinciais)1880 – O Presidente da Província celebra contrato com a Companhia Mojiana de Estrada de Ferro para prolongamento das linhas desta à vila de Ribeirão Preto. (Cronol.Paulista -J.Ribeiro)1887 – Aparece, na cidade de Guaratinguetá, o primeiro número do “Jornal da Noite”, de propriedade e direção de Américo costa.(Cron.Paulista -J.Ribeiro)1890 – Tem lugar, em Amparo, o primeiro casamento civil . (Cronl.Paulista -J.Ribeiro)1891 – É instalado solenemente, no prédio da Praça João Mendes, pelo Governador Américo Brasiliense de Almeida Melo, o Congresso Estadual Constituinte que, desde 1º de junho, se reunia em sessões preparatórias. O governo tencionava realizar o Congresso na igreja do Colégio, ao que se opôs o Bisco D.Lino que tentaria reivindicar, judicialmente, o domínio do templo.1892 – Nasce, em Joanópolis. Estado de São Paulo, o prof. Antonio Ferreira de Almeida Junior. Formar-se -ia pela Escola Normal da praça da República (1909) e pela Faculdade de Medicina (1921). Em 1928, conseguiria mediante concurso, a Livre Docência de Medicina Legal da Faculdade de Direito de São Paulo, e, em 1941, a respectiva cátedra. Pertenceria à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Seria também, um dos fundadores da Escola Paulista de Medicina, na qual lecionaria. Dentre os inúmeros cargos públicos que viria a exercer, destaca-se sua participação na Comissão Organizadora da Universidade de São Paulo, cujo primeiro conselho integraria, sendo, igualmente, um dos componentes da comissão que, em 1935, elaboraria os estatutos da universidade. Seria Secretário da Educação e exerceria inúmeros cargos e comissões no plano federal e estadual, ligado à direção e orientação do ensino e membro do Conselho Nacional de Educação. Ao completar 70 anos de idade, em 1962, deixaria por aposentadoria compulsória, a Cátedra de medicina Leal da Faculdade de direito do Largo de São Francisco.1905 – Numa homenagem ao Presidente Campos Sales, a cidade de São José do Paraitinga tem sua denominação mudada para Salesópolis.1931 – Por ato desta data, é adotada a tabela de preços para a venda de carne nos tendais, mercados e açougues do Município da Capital.1934 – É instituída, pela municipalidade da Capital, a “Quinzena da Laranja” durante a qual seria permitida a venda de frutas cítricas, com isenção de todos os impostos e taxas municipais, inclusive no tocante às mercadejadas por vendedores ambulantes.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]