Inauguração da Rodoviária de Sorocaba, o Rodocenter
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HOJE NA;HISTóRIA
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15 de agosto de 1973, quarta-feira Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
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A Yaohan foi inaugurada em Sorocaba no dia 15 de agosto de 1973, no primeiro andar da Estação Rodoviária de Sorocaba.
De origem japonesa, sua história no Brasil cerca de 2 anos antes.
No dia 2 de setembro de 1971, um anúncio de página inteira na Folha de S. Paulo trazia a nissei Akiko Tanaka divulgando para o público uma novidade: a inauguração do Centro de Compras Yaohan.
Apresentando-se como uma das funcionárias do “supermercado e superloja”, Akiko revelava no anúncio a veia revolucionária do empreendimento erguido na esquina da Rua Cunha Gago com a Teodoro Sampaio, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo:
“O método de comércio que a Yaohan trouxe do Japão são absolutamente novos”, destacava. A inauguração aconteceu no dia 24 do mesmo mês.
A ousadia dos japoneses que escolheram a capital paulista para sua primeira loja fora do Japão ficou mais evidente quando outro anúncio de página inteira trazia a bandeira da rede fincada sobre o mapa do Brasil.
Acima, em um texto chamado “Obrigado, Brasil!”, Kazuo Wada, presidente da Yaohan no Brasil, creditava a chegada ao país como “uma indicação de Deus” e prometia “colaboração estreita para a melhoria do nível de vida do nobre povo brasileiro”.
Para inserir o consumidor brasileiro no contexto nipo-brasileiro em que foi erguido no ano de 1948, a Yaohan começou a sua jornada em São Paulo com uma promoção curiosa: todos os clientes que consumissem mais de 50 cruzeiros (pouco mais de 220 reais, segundo a correção do Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna) no local ganhariam uma pérola japonesa.
Só nos quatro primeiros dias a loja distribuiu 18 mil pérolas. O impacto logo foi sentido pelos comerciantes de Pinheiros, que viram suas vendas cair 6% na primeira quinzena dos japoneses na cidade, em uma escala que bateria nos 30% até o fim daquele ano.
O “tratamento cordial”, regra número um aos funcionários na convivência com os clientes, estava amparado nos dogmas do Seicho-No-Ie, religião japonesa para a qual “todos os homens são filhos de Deus”.
“Não havia a filosofia de lucro da empresa, mas sim de bem-estar do cliente. Todos os dias antes de abrir o supermercado o Kazuo Wada reunia os funcionários e nos passava uma mensagem espiritual”, recorda Marie Murakami, hoje com 68 anos, que trabalhou no departamento de recursos humanos da Yaohan desde a inauguração até 1976.
Ela garante que o fato da empresa estar amparada em bases japonesas não excluía os demais brasileiros do quadro de funcionários: “Havia um grande número de funcionários descendentes de japoneses, mas essa não era uma regra”.
Tratava-se de uma grande megastore, uma das primeiras do Brasil a apostar na mistura de supermercado com outros serviços como brinquedos, roupas, utensílios domésticos e outros produtos (a reportagem não conseguiu fotos do interior da loja).
Um generoso aporte de 1,5 milhão de dólares (hoje, 4,8 milhões de reais) foi oferecido em forma de financiamento pelo governo japonês.
O diretor de relações públicas do grupo, Tsuyioshi Miyhara, afirmava aos jornais que em dez anos pretendia ter 100 supermercados espalhados pelo Brasil, além de pagar à pátria-mãe cada centavo recebido.
O centro de compras era dividido em sete departamentos: supermercado, restaurante, cama e mesa, confecção, biofarma, eletrodomésticos e artigos para presente.
Dois restaurantes e o Terraço do Chope da Yaohan completavam a estrutura. Um dos restaurantes era o Shabu-Shabu, que tinha esse nome por causa de um prato japonês feito com lâminas finas de contra-filé ou lombo suíno, acompanhado de macarrão, legumes e arroz branco.
Com uma linha mais popular, o restaurante Bambi era especializado em pratos árabes.
Ainda que a estrutura já fosse suficiente para impressionar qualquer paulistano da época, outros 4 mil metros quadrados foram erguidos em uma reforma de ampliação realizada em julho de 1972, menos de dez meses depois da inauguração. Um sinal de que a resposta do consumidor brasileiro aos métodos japoneses de comércio foi altamente positiva.
De quebra, ao mesmo tempo, começaram as negociações da Yaohan para a construção de uma segunda loja, que seria inaugurada em setembro do ano seguinte na rodoviária da cidade de Sorocaba (SP).
A marca começou a se fortalecer também na mídia brasileira. A Yaohan ganhou um jingle interpretado pela maior estrela oriental do país naqueles tempos: a cantora, apresentadora e atriz Rosa Miyake, hoje com 71 anos.
Ela estampava a capa dos pequenos discos com os jingles, que eram distribuídos nas lojas. No lado B, a mesma Rosa interpretava “Parabéns pra você” (ouça abaixo as duas faixas).
À época, ela apresentava o programa “Imagens do Japão”, patrocinado pela marca. Foi nesse contexto que a Yaohan entrou para patrocinar também um concurso de calouros musicais:
“A ideia foi do produtor Mario Okuhara”, afirma Rosa, que era casado com ele. “Sempre, na abertura do quadro, eu cantava o jingle. Foi o maior sucesso”.
O projeto de expansão do grupo começou a ganhar contornos mais ousados e, assim, vieram também os primeiros fracassos.
No dia 23 de agosto de 1973, a Yaohan fechou contrato para uma filial no Rio de Janeiro, no que seria “o maior shopping center do Rio de Janeiro”. Um mês depois, começaram as negociações com a prefeitura de Marília (SP).
Nenhuma das duas lojas, no entanto, acabou saindo do papel, brecando os objetivos mais ousados de Kazuo Wada e concentrando as forças do grupo na cidade de São Paulo, onde a loja de Pinheiros continuava fazendo sucesso.
Também havia a tentativa de estreitar laços com a matriz japonesa. “Os gerentes ganhavam frequentemente viagens ao Japão para conhecer as lojas de lá”, conta Marie Murakami.
Em novembro de 1973, a Miss Brasil Sandra Mara Ferreira foi convidada pela matriz para uma viagem ao Japão.
A filial brasileira, em Pinheiros, ofereceu um badalado coquetel antes do embarque. Ao mesmo tempo, foram exportados 25 artigos da loja daqui para duas novas filiais japonesas construídas nas cidades de Tóquio e Osaka. Dentre esses itens, os principais eram objetos de praia.
Com os negócios evoluindo muito bem, a rede preparou uma festa para comemorar três anos de Brasil em 6 de agosto de 1974.
Os Originais do Samba fizeram um show onde autografaram exemplares do “Pra que Tristeza”, o LP do grupo que acabara de ser lançado. Uma grande promoção também foi estampada nos jornais.
Para terminar as comemorações, o anúncio de que 500 vagas de emprego seriam abertas para a inauguração da terceira loja: em novembro, a Yaohan abriria as portas no Shopping Center Continental, um novo conjunto comercial que seria inaugurado na Avenida Corifeu Azevedo Marques, em Osasco, Grande São Paulo.
A inauguração do Shopping Continental é um bom exemplo do prestígio do qual desfrutava o Yaohan naquele 1974: nos anúncios antes da inauguração, ainda em setembro, o supermercado era o primeiro colocado na lista de 50 estabelecimentos que já haviam firmado contrato com o shopping.
Com essa loja e outras três (uma inaugurada em maio de 1975 no Butantã e as outras duas em 1976, no Mackenzie Hill de São Bernardo do Campo, e na Estrada de Parelheiros, em Interlagos), o faturamento anual estimado chegou a 250 milhões de cruzeiros (quase 550 milhões de reais segundo o IGP-DI).
A festa de inauguração da nova sede central da filial brasileira, no Jaguaré, em dezembro de 1976, foi uma espécie de canto do cisne da Yaohan no Brasil.
Dali em diante, o grupo mergulhou em uma crise inesperada. A loja no Continental Shopping foi um enorme fracasso, levando ao atraso algumas obras importantes.
Além disso, o custo das importações foi se tornando alto demais para as receitas da empresa. A Yaohan entrou com pedido de liquidação judicial.
Com 157 milhões de cruzeiros em dívidas (163 milhões de reais corrigidos pelo IGP-DI) e 14 empresas pedindo a falência do grupo, os japoneses hipotecaram um imóvel de 250 milhões de cruzeiros (260 milhões de reais) e com área de 5 mil quilômetros quadrados na cidade de Cubatão (SP).
Essa garantia apenas protelou a falência da Yaohan no Brasil. Em maio de 1978, a concordata preventiva conseguida pela empresa foi questionada publicamente pelos credores, que contestavam a decisão judicial e protestavam contra a queda vertiginosa dos seus créditos.
A situação se arrastou até março de 1980, quando a Yaohan desistiu da concordata preventiva e, assim, teve sua falência decretada, encerrando a sua jornada de quase nove anos em terras brasileiras.
“Lamentei muito o fim da Yaohan. Era um lugar muito bom de se trabalhar. A diretoria tinha o maior respeito pelos funcionários e só saí de lá porque me casei”, afirma Marie, que destaca ainda o fato dos salários oferecidos estarem acima do mercado na época.
Um pouco antes da falência definitiva no Brasil, em 1979, a empresa começou a explorar o mercado norte-americano com uma loja na cidade de Fresno, na Califórnia.
Nas décadas de 1980 e 1990, a Yaohan se expandiu para a Ásia, com foco especial nas economias emergentes como Singapura, Hong Kong, China e Macau. Ao mesmo tempo, países americanos como Cuba, Costa Rica e Canadá também ganharam suas lojas.
A Yaohan chegou a ter 22 lojas abertas fora do Japão e alcançou até mesmo o mercado europeu com uma filial em Londres.
A crise econômica do final da década de 1990, porém, atingiu mundialmente a empresa, que acabou sendo vendida em março de 2000 para o grupo financeiro Aeon, que rebatizou os supermercados como MaxValu Tokai.
As lojas espalhadas pelo mundo foram cedidas para diferentes conglomerados internacionais. Em setembro de 1997 foi aberta em Macau a New Yaohan, única loja da atualidade que ainda preserva o nome dos audaciosos empreendedores japoneses que viveram uma aventura no Brasil da década de 1970.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]